13 de set de 2017

Justiça deve respostas ao povo.

decidido
• O crime e a política. A atuação do Ministério Público deve se ater estritamente ao campo jurídico. Tudo o que passa daí cai no terreno da política, fora de sua competência. A Lava Jato deve perseguir os crimes, não a política. 
Facínoras roubam do país a verdade. Bandidos constroem versões por ouvir dizer. Secretaria de Comunicação da Presidência após PF indicar participação de Temer em organização criminosa
• País pode terminar 2017 com crescimento acima de 2%, diz Meirelles. Para ministro, objetivo é que o Brasil passe a crescer a taxas mais elevadas ao redor de 4%
• Operação no Rio mira em bombeiros e empresários envolvidos em venda de alvarás. Até um estádio de futebol teria tido a documentação liberada sob pagamento de propina. 
• JBS vende Moy Park para sua própria subsidiária para melhorar perfil de dívida. Companhia britânica foi repassada por US$ 1 bi à americana Pilgrim's Pride, ambas pertencentes ao grupo brasileiro; com operação, JBS troca dívida cara de curto prazo por financiamentos mais baratos e com vencimento mais à frente contratados pela Pilgrim's. 
• Apostas de risco. Bolsa bate recorde em valor nominal, a despeito das contas do governo e do cenário volátil. 
• O bolo da educação. Militantes da educação pedem mais recursos, mas tal estratégia tem limites severos. 
• Acordo entre parlamentares e governo estabelece descontos de até 70% para empresas devedoras. Texto da MP do Refis, que já estaria fechado, pode entrar na pauta da Câmara nesta quarta-feira. 
• Não há como retomar reforma da Previdência neste momento, diz Maia. Para presidente da Câmara, há outras pautas mais urgentes na agenda, como a reforma política. 
• Doria defende privatização gradual da Petrobrás. Prefeito também afirma que uma fusão entre o Banco do Brasil e a Caixa Econômica seria ideal
• Tarifa branca na conta de luz começará em janeiro. Será preciso solicitar a migração para a distribuidora; empresas terão 30 dias para instalar novo medidor. 
• PF prende Wesley Batista e Joesley tem novo pedido de prisão decretado. A quarta-feira começa com mais desdobramentos do caso J&F. O empresário Wesley Batista, um dos sócios do grupo, foi preso pela Polícia Federal nesta manhã em São Paulo. A Justiça também expediu um novo mandado de prisão contra o irmão dele, Joesley, que já está preso desde o último domingo por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). 
• As novas ordens de prisão são motivadas pela acusação de que a J&F manipulou o mercado financeiro às vésperas da divulgação da delação premiada. A Operação Acerto de Contas, 2ª Fase da Operação Tendão de Aquiles, investiga o lucro obtido pela empresa com a venda de dólares antes de vir à tona, em maio, a gravação que abalou o governo Temer e as bolsas de valores. 
• E o dia deve seguir movimentado. No ápice da tensão entre MP, STF e Planalto, o plenário do Supremo julga hoje o pedido de suspeição do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para conduzir as investigações contra o presidente Michel Temer. 
• Além disso, os ministros da Corte devem analisar a validade das provas obtidas na delação da J&F. Para a advogada Vera Chemim, as investigações podem voltar à estaca zero se forem consideradas ilícitas. 
• A defesa tenta sustar eventual nova denúncia contra Temer. Terá, talvez, de lidar ainda com a tática da PGR que, segundo Vera Magalhães, reforçará a acusação contra o presidente com uma denúncia casada contra Joesley. 
• O Planalto segue agressivo. Após a PF divulgar conclusões sobre o presidente e o ministro Luís Roberto Barroso autorizar inquérito sobre a edição do Decreto dos Portos, divulgou uma nota sobre facínoras que roubam a verdade
• No Congresso, uma tropa de choque na CPI mista da JBS que gera dúvidas: recém-criada, tem quase um terço de seus integrantes financiados pela líder mundial de processamento de carnes. 
• Lula encara Moro hoje pela segunda vez. Ex-presidente será interrogado pelo juiz Sérgio Moro em ação que investiga negociação da Odebrecht em compra de terreno da sede do Instituto Lula. PT procura reforçar embate político. Petistas afirmam que não há plano B e que não pode haver eleição sem Lula. Ele depõe ao juiz Sérgio Moro em Curitiba em ação que apura recursos ilícitos da Odebrecht. Manifestações pró e contra o ex-presidente estão previstas na capital paranaense. Sobre o assunto, vale a leitura da análise de Pedro Floriano Ribeiro, professor da Ciência Política da Ufscar.
• Alckmin antecipará agenda de campanha. Candidato ao Planalto, ele busca ideias para a corrida de 2018, focando em logística e infraestrutura. Veja ainda: restrição a pesquisas avança na Câmara; texto proíbe a divulgação dos levantamentos na semana anterior à eleição; teto para doação também passa em comissão. 
• Dívida trabalhista da Caixa pode elevar o rombo da Funcef em R$ 6,3 bilhões. Associação de servidores defende que o banco arque com prejuízos causados pelo aumento de ações judiciais movidas por funcionários para incrementar a aposentadoria; hoje, quem paga essa diferença é o fundo de pensão, que já está com as contas negativas. 
• Acusação da JBS é leviana, afirma advogado. Delator diz que sócio de Cardozo recebeu dinheiro via contratos fictícios. 
• Venda da Eletrobras deve sair até o início de 2018. Governo pretende ter menos de 50% das ações da companhia. 
• Arma do Exército, pistola 9mm é liberada para policiais. Aval militar atende a demanda corporativa, mas traz preocupação. 

• Trump chama Temer para reunião de líderes que discutirá crise venezuelana. Situação caótica da Venezuela deverá ser tema principal de jantar que magnata americano oferecerá em Nova York, na segunda-feira, para os presidentes de Brasil, Colômbia e Peru, às vésperas da abertura da Assembleia- Geral das Nações Unidas. 
• Ex-dirigente revela abuso de poder de Infantino. Português sugere influência do Kremlin na Fifa, denuncia pressões da Conmebol e abre nova crise na Fifa; Conta de Nuzman na Suíça pode ter recebido repasses de federação de suspeito. Brasileiro repassou por e-mail seus dados bancários no exterior para a IAAF. 
• Em livro, Hillary distribui culpa por derrota em eleição. Democrata responsabiliza rivais, FBI, sexismo, Rússia e mídia por resultado.
• EUA recuam para obter apoio chinês e russo a sanções contra Coreia do Norte. Conselho de Segurança da ONU impõe novas punições a Pyongyang, estabelece barreiras às exportações norte-coreanas, limita o acesso do país a petróleo, combustíveis e proíbe a realização de joint ventures com empresas estrangeiras. A Coreia do Norte rejeitou as sanções e disse que os EUA enfrentarão a maior dor que já sentiram disse na ONU. 

A taxa de oxigênio que mata.
O governo de Luiz Fernando Pezão (PMDB) -caracterizado por rebatizar propina como taxa de oxigênio- só respira por meio de aparelho. Apoios silenciosos no aparelho judiciário asseguram que o governador do Rio de Janeiro permaneça no poder.
Faz sete meses que o Tribunal Regional Eleitoral cassou o mandato de Pezão e de seu vice, Francisco Dornelles (PP), e determinou a realização de eleições diretas no Estado.
O governador se mantém no cargo porque recorreu ao próprio TRE e depois ao Tribunal Superior Eleitoral. A ação transita em Brasília desde maio, sem sinais de que vá a julgamento. Dorme nos escaninhos esplêndidos do ministro Luiz Fux, cuja filha foi nomeada desembargadora por Pezão em março de 2016.
Pezão e Dornelles foram condenados sob a acusação de abuso de poder econômico e político. De acordo com o TRE, o governo do Rio concedeu benefícios financeiros a empresas como contrapartida a posteriores doações para a campanha eleitoral.
A condenação cita penca de empreiteiras que recebeu benefícios em troca de doações. Em delação, diretor da Carioca Engenharia afirmou que foi alvo de cobrança da taxa de oxigênio -como era conhecida a propina exigida por funcionários da Secretaria de Obras- dentro do comitê de campanha de Pezão.
A representação aponta ainda doação a Pezão de quase R$ 7 milhões da JBS, um mês após ter recebido permissão de uso de terreno público. O padrão Joesley Batista de atuar impõe suspeição elevada à operação.
O Estado do Rio retrocedeu 20 anos em três anos de mandato de Pezão, que meteu os pés pelas mãos. A culpa maior é de seu maior aliado: Sérgio Cabral, acusado de se apropriar de mais de R$ 250 milhões em propinas.
A taxa de oxigênio da dupla Cabral-Pezão asfixiou o Rio de Janeiro. O Estado agoniza, sob a cegueira conveniente do TSE. (Plínio Fraga) 

Ordem de prisão por jogo no mercado também contra Joesley.
Empresário já está preso por ordem do ministro Edson Fachin, do Supremo, por violação da delação premiada.
O empresário Joesley Batista, custodiado temporariamente por ordem do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, tem contra si mais um decreto de prisão. Desta vez, preventivo - sem prazo determinado.
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira, 13, a Operação Acerto de Contas, 2ª fase da Tendão de Aquiles. O empresário Wesley Batista, irmão de Joesley, foi preso.
Em nota, a PF informou que foram cumpridos, além dos dois mandados de prisão contra os irmãos delatores, outros dois de busca e apreensão.
As ordens judiciais foram expedidas pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo a pedido da PF como decorrência dos fatos investigados desde que teve início o inquérito policial nº 120/2017, conhecido como operação Tendão de Aquiles. A investigação mira o uso indevido de informações privilegiadas em transações no mercado financeiro ocorridas entre abril e 17 maio de 2017, data de divulgação de informações relacionadas a acordo de colaboração premiada firmado por ambos os presos e a Procuradoria-Geral da República.
A 1ª fase da Tendão de Aquiles foi deflagrada em 9 de junho quando foram cumpridos três mandados de busca e apreensão e quatro mandados de condução coercitiva.
A investigação apura duas frentes. A primeira é a realização de ordens de venda de ações de emissão da JBS S/A na bolsa de valores, entre 24 de abril e 17 de maio, por sua controladora, a empresa FB Participações S/A e a compra dessas ações, em mercado, por parte da empresa JBS S/A, manipulando o mercado e fazendo com que seus acionistas absorvessem parte do prejuízo decorrente da baixa das ações que, de outra maneira, somente a FB Participações, uma empresa de capital fechado, teria sofrido sozinha.
A segunda é a intensa compra de contratos de derivativos de dólares entre 28 de abril e 17 de maio por parte da JBS S/A, em desacordo com a movimentação usual da empresa, gerando ganhos decorrentes da alta da moeda norte-americana após o dia 17.
Após a deflagração da primeira fase da operação, com intensa cooperação institucional com a Comissão de Valores Mobiliários, policiais federais analisaram documentos, ouviram pessoas e realizaram perícias, trazendo aos autos elementos de prova que indicam o cometimento de crimes e apontam autoria aos dois dirigentes das mencionadas empresas.
Os investigados poderão ser responsabilizados pelo crime previsto no artigo 27-D da Lei 6.385/76, com penas de 1 a 5 anos de reclusão e multa de até três vezes o valor da vantagem ilícita obtida.
Com a palavra, Pierpaolo Bottini, que defende os irmãos batista.
É injusta, absurda e lamentável a prisão preventiva de alguém que sempre esteve à disposição da justiça, prestou depoimentos e apresentou todos os documentos requeridos. O Estado brasileiro usa de todos os meios para promover uma vinganca contra aqueles que colaboraram com a Justiça. (Fausto Macedo) 
A bondade infinita tem braços tão grandes que envolvem qualquer coisa que se volte para ela. (Dante Alighieri)

12 de set de 2017

Nós foi...

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• Senado faz consulta pública sobre revogação do estatuto do desarmamento.
• Janot pede que STJ abra inquérito de investigação contra Pezão. 
• PF aponta crime de corrupção de Temer e ministros. Inquérito sobre quadrilhão do PMDB atinge presidente, Moreira Franco e Padilha, além de Cunha, Funaro, Geddel e Henrique Alves. 
• Miller atuou pela J&F quando ainda estava no MPF, indica Janot. 
• Juiz suspende homologação do acordo de leniência da J&F. 
• Irmã de indicado para o Cade trabalha para Ciro Nogueira. 
• Gilmar Mendes se diz convencido de que foi gravado por Joesley. 
• Lula é denunciado pela 3ª vez em setembro por corrupção passiva na Operação Zelotes. Segundo procuradores, petista aceitou promessa de receber recursos ilegais 
• Joesley diz que fez contrato fictício com sócio de Cardozo. Banca emitia cerca de R$ 80 mil por mês e parte iria para ex-ministro do PT. 
• COI admite que sedes de Jogos podem ter sido compradas. Quando houver provas, vamos agir disse comunicado, sem citar Nuzman. 
• Irmão de Geddel dizia não gostar de usar cartões, só dinheiro. 
• Apesar do desgaste, Supremo deve manter Rodrigo Janot à frente do caso JBS. 
• Bolsa bate recorde histórico e fecha a 74.319 pontos. 
Não vejo censura, diz dirigente do MBL sobre fim de exposição no RS. 

• ONU aprova um novo pacote de sanções contra a Coreia do Norte. Pena por teste nuclear recai sobre exportações de têxteis e importação de gás 
• Harvey, Irma e José. A ocorrência de três furacões simultâneos deixa rastro de destruição no Caribe e EUA. 
 Furacão passa para depressão tropical em seu avanço pelo sudeste dos EUA. 

• Pelo link abaixo, entra-se direto no vídeo. Petralhas que ainda alimentam esperança de voltarem à boa vida da remuneração da vadiagem, alegando que se trata de montagem. Só esquecerem de um detalhe: ninguém faz montagem, incluindo tosse na gravação, e tampouco, fazem coisa muito longa e tão perfeita. Só se ouve a voz de Lula por causa de alguma falha no grampo que gravou apenas o canal de saída. clique
Será essa gravação verdadeira? Acessem o link abaixo e ouçam um vídeo (áudio) vazado do Lula falando com falcão, onde ele deixa claro que que já deveriam ter matado o Palocci, na cadeia. Role até chegar na foto Lula e Rui Falcão. 

Uma CPI sob suspeita.
Desde o escândalo do mensalão, as comissões parlamentares de inquérito têm perdido força e prestígio no Congresso. A marcha para a irrelevância deve ganhar um novo capítulo nesta terça-feira, com a abertura da CPI da JBS.
No discurso, a comissão foi criada para investigar os negócios suspeitos do frigorífico. Na prática, seus idealizadores querem usá-la para retaliar os delatores da empresa e intimidar procuradores da Lava Jato.
As intenções da turma estão claras desde o início. O senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO) começou a coletar as assinaturas dias depois de Joesley Batista entregar as gravações com o presidente Michel Temer.
Escolhido para presidir a CPI, o tucano não tem se esforçado nem para simular independência. No último sábado, enquanto a maioria dos políticos passava o feriadão longe de Brasília, ele foi recebido em beija-mão no Palácio do Jaburu.
O governo ainda pretende instalar outro aliado no cargo de relator. Nesta segunda, o mais cotado era o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), líder da tropa de choque de Temer e amigo dileto de Eduardo Cunha.
Ninguém discorda que a JBS precisa ser investigada. O dono do grupo corrompeu dezenas de políticos, confessou crimes em série e ainda tentou tapear o Supremo Tribunal Federal, como mostraram as fitas liberadas na semana passada.
O problema é saber se essa CPI tem chance de levar a tarefa a sério. Para o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), tudo indica que não.
O Planalto quer usar a CPI para intimidar o Ministério Público. Nos últimos anos, a maioria das CPIs tem se dividido entre o circo e o achaque. Acho que desta vez teremos circo, achaque e intimidação, prevê.
A CPI parecia natimorta até a semana passada, mas foi ressuscitada pela barbeiragem da Procuradoria no caso JBS. As novas denúncias contra dirigentes do PMDB e do PT forjaram a aliança que faltava para o início dos trabalhos. (Bernardo Mello Franco) 

Guerra Fria prossegue em Cuba com doenças esquisitas;
Os EUA pediram ao governo cubano licença para a saída de dois de seus diplomáticos, atingidos em 2016 por estranha doença, noticiou a mídia mundial.
Vários funcionários da embaixada manifestaram uma inexplicável perda auditiva. O Canadá também confirmou que alguns de seus diplomatas na ilha haviam sofrido um ataque acústico similar, acrescentou Clarín
Após uma investigação de meses, os EUA concluíram que os diplomatas foram atacados por meio de uma avançada arma sonora que funciona fora de alcance audível e está instalada perto de suas residências. 
Segundo Ottawa, pelo menos um de seus diplomatas em Cuba foi tratado num hospital com sintomas pouco comuns ligados à audição. Também seus familiares foram atingidos. 
The Washington Post, citando o Departamento de Estado, informou que pelo menos 16 americanos trabalhando para a embaixada EUA em Cuba sofreram dito mal de perda de audição enquanto serviam em Havana
Este tipo de ataque não é coisa nova, pois era comum no tempo da União Soviética. Mas caiu como um balde d’água fria sobre a crença ingênua de que a Guerra Fria morreu. 
Como nos tempos soviéticos, o governo cubano reagiu em termos que transparecem suspeitas de insinceridade: Cuba jamais permitiu nem permitirá que seu território seja utilizado para qualquer ação contra funcionários diplomáticos acreditados ou seus familiares, sem exceção.
A porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, informou que dois diplomatas cubanos foram expulsos dos EUA após os incidentes que causaram vários sintomas físicos a funcionários da embaixada americana em Havana, divulgou a Folha de S.Paulo
Um funcionário disse sob o anonimato à Associated Press que membros do regime cubano teriam colocado aparelhos sonoros que produzem sons inaudíveis nas casas de cinco funcionários da embaixada com a intenção de ensudercê-los.
Segundo The Washington Post, esse tipo de assédio a diplomatas em Cuba é comum desde que o presidente Barack Obama reabriu a embaixada dos EUA. 
O Departamento de Estado lembrou que é obrigação do governo cubano proteger nossos diplomatas em virtude da Convenção de Viena.
É difícil fazer uma declaração de tamanha ingenuidade e inocuidade em relação a um governo comunista que em nada modificou seus estilos ditatoriais e expansionistas.
O reatamento diplomático com Cuba, promovido pelo ex-presidente Obama e pelo Papa Francisco I em 2015, está dando sinais de um danoso fracasso para o Ocidente. 
Ele só serviu para reforçar um regime que caía de podre, mas que continua agressivo e provocador.
Quem saiu beneficiado foi o presidente Trump, que qualifica os papeis assinados por Obama de mau tratado. Porém, até o momento não saiu da retórica e não explicou o que pretende fazer.
No Vaticano, um silêncio pelo menos cúmplice preside as movimentações da diplomacia mais sagaz do mundo. E, infelizmente, também uma das mais comprometidas com a revolução comunista na América Latina. (Luis Dufaur, escritor, jornalista) 
Porta-voz Heather Nauert fornece detalhes em entrevista no Departamento de Estado (Reuters)

4 de set de 2017

As bombas...

aarma
• Gasolina aumenta nesta terça-feira 3,3% nas refinarias; diesel sobe 0,1%. 
• Copom pode cortar pelo menos 0,75 ponto percentual da Selic 
• O prefeito de São Paulo, João Doria, descartou disputar prévias com o governador Geraldo Alckmin para a escolha do candidato do PSDB à Presidência em 2018. A concorrência velada entre os dois ganhou outro rumo na semana passada, quando Alckmin afirmou sua intenção de ser presidente do povo brasileiro. Dizem que Doria recusa disputar prévias com Alckmin e admite sair do PSDB. 
• Cláusula de desempenho barraria R$ 64 milhões. PEC que estabelece cota mínima de votos ou parlamentares ameaça repasses a 14 legendas nanicas
• Essa gente! Teresa Bergher é exonerada da Secretaria de Assistência Social. Crivella decidiu que a parlamentar retornasse à Câmara Municipal para votar pelo reajuste do IPTU. Mas ela garantiu que vai votar contra. 
• Endividamento de empresas cai após seis anos. Câmbio mais favorável, troca de dívidas caras por mais baratas e venda de ativos são alguns dos fatores que explicam o movimento. Mas os efeitos da crise ainda são claros, como os cortes no Orçamento que comprometem o programa Luz Para Todos, que previa R$ 1,2 bilhão para iluminar os rincões do País. 
• Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobrás, pediu ao banco que pagasse sua defesa na Operação Lava Jato. Bendine já recebe R$ 62,4 mil como aposentadoria pelo banco. 
• Não sei se copiou (aliás é costume). Doria quer rever valor venal de imóveis em 43%. Gestão também quer IPTU com alíquota variável; novas tabelas põem o valor próximo de 70% do de mercado - hoje fica em torno de 50%. 
• A Justiça decidiu manter preso Diogo Ferreira Novais, que já foi detido por 17 vezes por ataque sexual em ônibus. 
• Polícia Civil mata dez criminosos em área nobre de São Paulo. Bando tentava assaltar uma casa de luxo no bairro do Morumbi usando fuzil e colete à prova de bala. 
• Joesley recorreu a Mantega, Palocci e Serra por ajuda no BNDES. Temer é ladrão geral da República, diz Joesley Batista. Declaração é uma resposta à nota do Planalto para desqualificar as delações. 
• Temer pede auxílio a ministros para garantir votações no Congresso. 
• TCU: provas indicam desvios até 70% maiores na Petrobras. 
• Fazenda prepara aperto nos fundos previdenciários. 
• Juízes de tribunal superior omitem valor de palestras. Vinte deles negaram ter cobrado para falar e uma admitiu valor simbólico. 
• A década que se esvai. Mesmo com recuperação da economia, renda per capita ainda é inferior à de 2010; país carece de acordo político para a reorientação do Estado. 
• Meta ameaçada. O Plano Nacional de Educação preconiza que, até 2024, um terço dos jovens de 18 a 24 anos frequentem a universidade; um objetivo que soa inatingível. 
• Falhas põem bancos na mira da Lava Jato. Investigação apura se houve descumprimento de regras de compliance. 
• Ex-líder do PT é o senador que custa mais caro. Ex-líder Humberto Costa já nos custou R$ 675 mil em 2017. 
• No Nordeste, Lula omite papel de Dilma em crise. Ex-presidente é parado em estradas, mas público não lota áreas em palanques. 
• Ganha força troca de plano de previdência privada. Migração cresce 7,5% no 1º semestre, com discussão de reforma no setor. 
• Diagnóstico de câncer é gargalo para pacientes do SUS. Cerca de 60% são tratados já em estágio avançado, mais difíceis de curar. 
• Família Batista vende Eldorado por R$ 15 bilhões. Aquisição marca a entrada do grupo asiático Paper Excellence no Brasil. 
• E o mundo ficou em alerta no fim de semana: a Coreia do Norte testou sua bomba atômica mais potente até o momento, um artefato termonuclear ou bomba H, que, segundo o regime, pode ser instalado em um míssil intercontinental. Esse é o sexto teste nuclear do país, e culmina um período de intensa atividade armamentista por parte do governo de Kim Jon-un, que testou mais de uma dezena de mísseis balísticos desde o começo do ano, entre eles dois intercontinentais. Para o jornalista do Estado, Roberto Godoy, a Coreia do Norte já é uma potência nuclear. Os Estados Unidos prometeram resposta militar esmagadora caso sofram qualquer ameaça. Aliada do regime, a China expressou sua condenação enérgica ao sexto teste nuclear do país. O Conselho de Segurança da ONU se reúne hoje para discutir a questão. EUA ameaçam resposta militar maciça contra ditadura comunista de Kim Jong-un; Secretário-geral da ONU considera o teste profundamente desestabilizador. Trump eleva tom e avalia retaliação militar e econômica. Presidente criticou China por fazer pouco para pressionar a Coreia do Norte. 
• Ditador proíbe ativista de viajar à Europa e chanceler alemã reage. Ao proibir Lilian Tintori de viajar, Maduro cometeu ato violento. 
• Bomba H. Conselho de Segurança da ONU se reúne nesta segunda para avaliar teste nuclear. Conselho de Segurança é convocado a pedido de vários países. 
• A família real inglesa anunciou nesta segunda que espera um novo integrante. Kate Middleton está grávida de seu terceiro filho com o príncipe William. Enquanto isso, no Japão... A princesa Mako está deixando a nobreza para se casar com um plebeu. 
• Em carta a Trump, Obama reforça importância da democracia. 
• Com segregação racial, Chicago vê criminalidade disparar. Terceira maior cidade dos EUA registra mais homicídios que NY e LA juntas. 
• Polícia é fiadora de acordo de gangues em favela no Haiti. Após saída de missão da ONU, força nacional assume segurança na capital. 

Foro privilegiado completará 100 dias na gaveta.
O Brasil sempre lidou de forma engenhosa com o problema do foro privilegiado. A questão é discutida exaustivamente há anos. Exausto, o país nunca resolve nada. De repente, surgiu no Supremo Tribunal Federal o esboço de uma saída. Mas o ministro Alexandre de Moraes encarcerou numa gaveta o processo que pode limitar o direito ao foro, restringindo o privilégio aos crimes cometidos por congressistas e autoridades durante e em razão do exercício da função pública. Na próxima sexta-feira, em plena Semana da Pátria, o aprisionamento dos autos completará 100 dias.
A sessão em que Moraes pediu mais tempo para analisar o processo foi interrompida quando o placar estava 4 a zero a favor da limitação do foro. Rosa Weber, Marco Aurélio Mello e Cármen Lúcia acompanharam a posição do relator Luís Roberto Barroso, favorável à regra restritiva. Num colegiado de 11 ministros, faltavam dois votos para atingir a maioria que remeteria para a primeira instância do Judiciário o grosso dos processos criminais que tramitam no Supremo à espera de julgamentos que nunca chegam.
Não há ilegalidade na atitude de Moraes. Pedidos de vista estão previstos no regimento do Supremo. Mas as circunstâncias sujeitam o ministro à maledicência. Indicado por Michel Temer para ocupar a cadeira que foi de Teori Zavaschi no Supremo, Moraes protege com seu gesto pelo menos oito ministros do atual governo que respondem a inquéritos na Lava Jato. Entre eles Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), os dois auxiliares mais próximos do presidente.
De acordo com estatísticas mencionadas pelo relator Luís Barroso, há na Suprema Corte cerca de 500 processos criminais contra detentores de foro especial. O prazo médio para recebimento de uma denúncia pelo STF é de 565 dias. disse o ministro. No caso de Fernando Collor, a demora foi de 732 dias. Um juiz de 1º grau recebe uma denúncia, como regra, em menos de uma semana, porque o procedimento é muito mais simples, acrescentou Barroso. Num processo contra Aldemir Bendini, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobas, Sergio Moro recebeu a denúncia em dois dias.
Nas palavras de Barroso, o atual sistema é feito para não funcionar e se tornou uma perversão da Justiça. O ministro realçou a necessidade de revisão da encrenca. Há problemas associados à morosidade, à impunidade e à impropriedade de uma Suprema Corte ocupar-se como primeira instância de centenas de processos criminais. Não é assim em parte alguma do mundo democrático.
Suprema ironia: na semana passada, o próprio Barroso autorizou a abertura de mais um inquérito contra o pluri-investigado senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Com isso, ajudou a consolidar a migração de Renan da categoria de anomalia para o estágio de aberração jurídica. Além de ser réu numa ação penal, o senador ocupa o topo do ranking dos encrencados no Supremo. Coleciona 18 inquéritos, 13 dos quais relacionados à Lava Jato.
Afora Renan e os ministros de Temer, a investigação do maior escândalo de corrupção já varejado no Brasil empurrou para os escaninhos do Supremo, por enquanto, 64 deputados e 28 senadores. A maioria compõe o bloco que dá sustentação legislativa ao governo que Alexandre de Moraes já serviu como ministro da Justiça. A coincidência dá asas à tese de que o processo sobre o foro se encontra preso numa gaveta para livrar os políticos sob suspeição dos rigores das sentenças de juízes como Sergio Moro, de Curitiba, e Marcelo Bretas, do Rio de Janeiro. O falatório decerto é injusto. (Josias de Souza) 

Gilmar Mendes, o libertador.
Gilmar Mendes está condenado nas várias instâncias da opinião pública. Foram-lhe concedidos todos os prazos. Boquirroto, quanto mais fala, mais ajuda aqueles que o acusam. Disse e continuará dizendo o que bem entende porque o Senado Federal, a quem caberia processá-lo por crime de responsabilidade, raramente faz o que deve. Hão de recear, os senadores, aquela ira teatral que afina a voz e engrossa o vocabulário.
Sua toga tem servido como manto protetor para autênticos inimigos públicos. Não vou, aqui, examinar todo o prontuário do ministro, de quem já se disse que faz bico no Supremo, tantas e tais são suas atividades fora do operoso quadrilátero do STF. Foi ele quem soltou o médico estuprador Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos de prisão. De uns tempos para cá, tomou gosto e não parou mais. Assumiu-se como garantista (dos réus, não da sociedade), por uma questão de princípio e como proclamada expressão de sua coragem moral. Arre! Realmente é preciso ter coragem! Dos dois pólos da corrupção ativa e passiva vem devolvendo ao aconchego do lar pais amorosos, maridos fidelíssimos, empresários profícuos. A Lava Jato esguicha e ele seca.
Sua mais recente obra-prima foi a libertação do rei do ônibus. Alega o ministro que os três níveis de relação que o aproximam do réu não constam entre os casos de impedimento discriminados no Código de Processo Penal. Sim. E daí?
Isso não significa que a proximidade não exista, nem que os fatos deixem de estarrecer quando é concedida liberdade a um réu que já fora apanhado com a mala na esteira do aeroporto e passagem apenas de ida para Portugal. Isso não significa que não haja uma contradição entre a sensibilidade garantista do ministro e a percepção nacional sobre suas decisões. Ele bem poderia dispensar-se do impedimento para recusar o habeas corpus do réu, mas para concedê-lo... por favor!
Claro que ele não está só. Claro que o Supremo tem extensa folha corrida de proteção aos criminosos políticos e endinheirados. Claro que a lista de congressistas presos por determinação do STF e mantidos presos não tem mais de dois ou três nomes. Claro que há, na Corte, uma bancada garantista que se rebela, inclusive, contra a decisão, até bem pouco majoritária, que determina cumprimento de pena após condenação em segunda instância. Tudo isso é tristemente verdadeiro no reino da impunidade. Gilmar Mendes, porém, se destaca entre seus pares pela arrogância com que afronta a opinião pública, considerando que discordar dela seja corajoso dever de ofício e que concordar com ela seja covardia. Que coisa, não? Nossa opinião virou alimento dos covardes. (Percival Puggina, arquiteto, empresário e escritor)
Tão lenta Justiça e políticas ao deus dará que povo aturdido ou já escravizado aceita tudo. (AA)

29 de ago de 2017

Minutos para pensar...

Sem judiciário forte, não teremos uma democracia, diz presidente do STF.Carmen_Lucia
Cármen Lúcia agradece trabalho de juízes no momento em que poder passa por escrutínio.
Cármen lúcia afirmou que o poder judiciário é composto de seres humanos que têm aqui ou acolá alguma falha.
Conhecida pela postura anticorporativista, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, fez uma defesa da atuação dos juízes brasileiros ao abrir a sessão desta terça-feira, 29, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), também presidido por ela.
Sem o Poder Judiciário forte, o Poder Judiciário livre e o Poder Judiciário imparcial, no sentido de não ter partes, não adotar atitudes parciais, não teremos uma democracia, que é o que Brasil tem na Constituição e espera de uma forma muito especial dos juízes brasileiros para a garantia dos direitos e liberdades dos cidadãos, disse Cármen nesta manhã.
Muito obrigada a todos os juízes brasileiros, que como eu já disse mais de uma vez, contarão sempre comigo, ainda que em um ou outro ponto haja discordância quanto à forma de procedimentos, prosseguiu a presidente do STF e do CNJ.
Não haverá alguém de imaginar que o Conselho Nacional de Justiça, especialmente esta presidência, não tem o maior respeito e principalmente a certeza de que o juiz é necessário para que ele possa trabalhar bem - como tem trabalhado - e honrar bem o Brasil - como tem honrado - e com isso teremos certamente melhores condições para termos uma democracia republicana e federativa, como está posto na Constituição, ressaltou Cármen.
Compreensão
Cármen Lúcia também aproveitou a fala na abertura da sessão do CNJ para agradecer aos juízes brasileiros por tudo que trabalham, por tudo que se empenham, por tudo que sofrem
Claro que todas as vezes que nós julgamos, uma parte fica insatisfeita com o juiz e isso se transfere cada vez mais sem uma compreensão exata da técnica para a própria pessoa, o que faz com que a nossa não seja uma função fácil. Ela é apenas necessária, observou. 
Em outro momento do discurso, Cármen Lúcia afirmou que o Poder Judiciário é composto de seres humanos que têm aqui ou acolá alguma falha e é por isso que existem as corregedorias
Pesquisa Ipsos divulgada no último domingo mostra que a onda de rejeição a políticos e autoridades públicas já não se limita ao governo e ao Congresso, alcançando o Poder Judiciário. A pesquisa apontou que, entre julho e agosto, houve aumento significativo da desaprovação a ministros do STF - Cármen Lúcia, por sinal, teve aumento de 11 pontos porcentuais em sua taxa de desaprovação entre julho e agosto, de 36% para 47%.
Depois de a imprensa revelou os altos valores pagos a juízes de Mato Grosso, o CNJ decidiu publicar uma portaria que obriga tribunais de Justiça a enviar ao órgão, em um prazo de dez dias, dados sobre pagamentos a juízes. As informações ficarão disponíveis no site do CNJ e poderão ser usadas em procedimentos internos de investigação.
Nesta terça-feira, o Estadão revelou também que o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) pagou, no mês de julho, valores líquidos acima do teto constitucional para 97,5% dos magistrados. Levantamento feito pela reportagem aponta que 4 magistrados e 12 servidores receberam mais de R$ 100 mil líquidos no mês passado. Atualmente, o teto está fixado em R$ 33.763 equivalente ao salário de um ministro do STF. (AE) 

Reincide quem está solto.
O índice de reincidência criminal é de 70%, e esse dado leva criminólogos à conclusão de que a pena de reclusão está falida, não resolve o problema. A saída é investir em penas alternativas.
Quem presencia os discursos tem a impressão de que as cadeias estão abarrotadas de pessoas que cometeram delitos sem violência, como furto, estelionato, fraudes diversas, apropriação indébita e lesão corporal. Ninguém fica preso por isso. As penas para esses crimes são alternativas à prisão.
Evidente que há um inchaço provocado pela prisão de traficantes de drogas - são 138 mil detentos dessa modalidade de crime. Este é um assunto que merece ser tratado à parte e deve ser o xis da questão, mas poucos o abordam abertamente por falta de coragem de assumir posições.
O restante da população carcerária é composto por presos perigosos - assaltantes, latrocidas, estupradores e assassinos. Desses, somente os que cometem homicídios pela primeira vez, sem relação com outros crimes, como disputa pelo tráfico de drogas e acertos de contas, têm reais chances de se recuperar.
A reincidência criminal não é em decorrência da prisão, mas da soltura antes do cumprimento da pena, porque, se os criminosos estivessem recolhidos, não estariam delinquindo nas ruas. Desencarcerar, como alternativa à construção de mais vagas no sistema prisional, representa um ônus a mais para a sociedade.
As escolas não ensinam mais - passam uma infinidade de deveres de casa para meninos que não têm a quem recorrer em casa, porque a mãe está trabalhando ou é analfabeta e o pai foi embora -, os loucos já foram liberados e andam por aí e agora querem libertar os criminosos.
Quem quiser que se defenda por conta própria. (Miguel Lucena, delegado de Polícia Civil do Distrito Federal e jornalista) 
Se meus inimigos pararem de dizer mentiras a meu respeito, eu paro de dizer verdades a respeito deles. (A. Stevenson)

28 de ago de 2017

Há que se por um fim...

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• Na Paraíba, Lula tratou integrantes da Lava Jato como canalhas
• O juiz Sérgio Moro afirmou em entrevista exclusiva ao Estado que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, deveria seguir decisão da própria Corte e não soltar os condenados em 2ª instância. Respeito o ministro Gilmar Mendes e espero que, ao final, pensando na construção da rule of law (império da lei), mantenha o precedente que ele mesmo ajudou a construir, disse o magistrado da Lava Jato. Em outubro de 2016, Gilmar votou favorável à prisão em 2ª instância, mas o comportamento do ministro indica mudança de posicionamento. Na semana passada, ele concedeu habeas corpus para soltar um condenado em 2º grau que estava no regime semiaberto. O ministro se disse a favor de nova discussão do tema no STF - cuja possibilidade já foi admitida por outros ministros da Corte. Moro associou o embate do prende-solta, protagonizado por decisões de Gilmar, ao mito de Sísifo. Revisões judiciais fazem parte do horizonte da profissão. Evidentemente, nenhum juiz gosta de se sentir como se estivesse vivendo o mito de Sísifo

Outros naufrágios.
Não achei palavra melhor para definir como tenho me sentido, por uma série de motivos: jururu. Jururu da vidica. Por motivos pessoais que não vêm ao caso, mas também e muito por todo dia ver por aí o país andando para trás, ou ancorado, ou naufragando.
O meu jururu é estar acabrunhada. Não chego a considerar-me macambúzia, que seria uma espécie de 100% jururu (ei, isso dá camiseta, hein?). Só não estou entendendo como é que as coisas podem acontecer tão sorrateiramente que quando percebemos já nos empurram porta afora, nos impõem limites, censuram, combatem. Proíbem; e proíbem com todo o peso que esse verbo carrega, sempre parecendo estar armado para impor sua ordem, seu veto.
O avanço do ranço disfarçado de patriotismo, que se esgueira ligeiro, como piada por estradas serpentuosas, deve ser percebido e interceptado a tempo. Não é para rir ouvir o barulho de coturnos, falar em marchas, já não mais em caminhadas. Marchas são solenes - é preciso diferenciar uns passos de outros. Não tem graça.
Bolsonaro e os bolsonarinhos não têm graça nenhuma.
Ficar patrulhando se o Caetano segurou uma faixa com vírgula ou sem, ou se o Chico, sim, ele envelheceu, nós também - mas a arte não. Se os Tribalistas voltaram mais discursivos é porque acham que o recado agora deve ser assim, já que a sensibilidade não tem mesmo mais tempo para poesia.
A caretice grassa. E quando se tenta falar sobre um assunto mais humano, vem guerra com um monte de gente que nem ouve - quer bordoar. De outro, uma turma que pode até ter razão, mas fica batendo numa teclinha, chatinhos, repetindo termos insuportáveis e que acabam ainda mais distanciando e justificando uma luta insana de opiniões. Enquanto lados se debatem, tal qual na fábula, os fatos vão acontecendo na vida real: mulheres assassinadas por seus parceiros, milhares de abortos clandestinos, adolescentes grávidas, travestis, trans e homossexuais espancados e mortos, tráfico de gente apanhada na rede dos pescadores do mal.
Não é a novela que faz mal, que ensina ninguém a nada. É a falta de escola, a falta de saúde, de saneamento básico, de lógica nas decisões prioritárias que ensina que parece que a população não vale nada.
Não bastasse assistir, também perplexa, diante do silêncio geral da Nação, a tantas aleivosias, tantos tiros, tantas mortes, tantos acidentes, tantos ataques à nossa inteligência e sentimentos. Só nessa semana duas dezenas de mortos em águas doces e salgadas jogados de embarcações inseguras. E empresários combinando - e nós ouvimos as gravações - como economizar em segurança, como roubar, além de dinheiro, as nossas vidas, quando percorremos as estradas em pandarecos.
São perturbadores cúmulos da caminhada retrógrada. Um evento aberto ao público, no tropical Rio de Janeiro, um concerto musical, traz escrito no convite um imbecil dress code: proibido usar saias dez centímetros acima dos joelhos, transparências, decotes, bermudas. Ah, por quê? Por que o evento será na Vila Militar.
- Estás boa, santa? - perguntaríamos anos atrás. Agora parece que estamos com medo. Parece, não. Estamos. Andam muito preocupados com o que vestimos, com quem transamos, quem beijamos. Se ocupam em impor regras pelas réguas deles. Mas não estão medindo o mal que fazem para o futuro que bloqueiam. Não é normal. (Marli Gonçalves, jornalista) 

O Brasil é inocente.
Instalou-se entre nós uma justificada sensação de que os problemas são maiores do que nossa capacidade de os resolver e de que face os males do corpo social e político nacional, os anticorpos institucionais são insuficientes para combater as células malignas que o acometem.
Creiam-me, o Brasil é inocente, totalmente inocente. Inapto a qualquer protagonismo, o país, como tal, é vítima e não culpado dos males de que é acusado. Tudo que costumamos dizer sobre o Brasil, deveríamos transferir, por ação ou omissão, à sociedade brasileira. E esse é um dos aprendizados mais urgentes.
Nossas culpas são muitas e efetivas como nação. Não, não me atolarei no lugar comum de atribuir indiscriminadamente à sociedade o lixo arremessado pela janela do carro, a buzinada no trânsito e a venda sem nota. O que trago é muito mais sério. Refiro-me, entre outros desvios, à infeliz tentativa de criar um humanismo sem Deus porque o politicamente correto coíbe toda referência a Ele em espaço público. Refiro-me a uma sociedade que tem o dedo duro para as imperfeições alheias e jamais aponta o próprio peito por considerar mórbido e pernicioso examinar a consciência. Refiro-me a uma sociedade que busca a perfeição nas coisas exteriores, que usa o espelho, os cosméticos e a academia para fazer porcelana do barro de que é moldada, mas teme olhar fundo nos próprios olhos.
Ora, a qualidade que pertença ao todo de um corpo social se faz da qualidade das pessoas que o compõem; em nenhuma organização humana haverá qualidade que não esteja fundada nos atributos de seus membros, em todos os seus níveis. Não há como nem por que ser diferente em relação a uma nação.
Todos desejamos um Congresso Nacional composto por pessoas probas, responsáveis, competentes e dedicadas ao interesse público. Se tal anseio fosse atendido, nossas dificuldades institucionais, sociais e econômicas já estariam resolvidas. No entanto, a maior parte dos cidadãos brasileiros, na hora de escolher um parlamentar, busca alguém para cuidar dos seus interesses. E quanto mais privados forem, melhor. É assim que a alguns se creditam e perpetuam privilégios enquanto a conta segue, inexoravelmente, a débito de todos os demais, incluídas as gerações futuras.
Num viés oposto, salutar, ao escolherem no leque de alternativas proporcionado pelos candidatos a uma determinada cadeira, os eleitores interessados no bem do país deveriam orientar sua opção àquele com cujas opiniões melhor se identifiquem. E não por convergência de interesses pessoais ou corporativos. Para despachante de interesses qualquer um serve.
A inversão na natureza do mandato parlamentar é, também ela, uma forma de corrupção, problema de natureza moral, que atinge a finalidade mesma da política, corroendo a ideia de representação e originando um paradoxal filho da hipocrisia. Refiro-me ao eleitor - e como ele é típico! - que elege alguém para cuidar de si e fica indignado quando percebe seu parlamentar fazendo exatamente a mesma coisa, dedicado a seus próprios negócios ou negociatas.
No dia em que tais compreensões alcançarem parcela expressiva da sociedade brasileira muitos patifes que só causam dano à pátria perderão suas cadeiras. (Percival Puggina, arquiteto, empresário e escritor) 
Quanto menos abrires o coração aos outros, mais o farás sofrer. (Deepak Chopra)

27 de ago de 2017

Parece tudo tranquilo...

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• Segurados do INSS têm até dia 31 para sacar atrasados de ações judiciais. 
• O prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), implantou na manhã deste sábado o Programa de Motopatrulhamento da Guarda Municipal do Rio de Janeiro (GM-Rio), com a entrega de 100 das 250 motos Honda 300 cilindradas doadas pelo grupo Multiplan. 
• Lá se vão mais bens do Rio. Banco chinês entra na disputa para emprestar R$ 3,5 bilhões ao governo Pezão. 
• Preso federal custa R$ 2.270 por mês aos cofres públicos. 
• Economia, bah! Governo contrata em 6 meses mais servidores do que estima desligar. União quer fazer PDV para 5 mil e contratou 7.089 servidores de fevereiro a julho. 
• Fiscalização endurece, e punições a membros do MP triplicam em um ano. Recuperação lenta do emprego esquece os menos instruídos. Retomada do mercado de trabalho no país favorece homens e mais escolarizados. 
• Advogado acusa amigo de Moro de intervir em acordo. Investigado diz ter recusado oferta para melhorar delação na Lava Jato. 
• Ministério Público entra com ação contra plano de aposentadoria de deputados. • Sanear o Estado. Programa de privatizações tem objetivos louváveis, mas diretrizes ainda obscuras, 
• Ex-secretário de Cabral devolve US$ 4,3 milhões à Justiça. Preso desde abril, Sérgio Côrtes transferiu dinheiro que estava nas Bahamas. 
• Bolsonaro quer militarizar ensino e pôr general no MEC. Hoje, Brasil tem 0,1% de unidades de ensino básico controladas por militares. 
• Tempo de contribuição poderá ser menor. Plano para destravar Previdência muda regra que exige contribuir por 25 anos. 
• Dono de barco que naufragou no Pará será indiciado por 23 mortes. Resgate no rio do Xingu tem susto e drama de familiares. No Pará, equipe busca por vítimas de naufrágio, que deixou 23 mortos. Fiscalização frágil no PA permitia navegação ilegal de embarcação. 
• Após naufrágio na BA, medo marca travessia feita por cerca de 17 mil. 
• Rogério Onofre, ex-presidente do Detro de entrega e volta à cadeia. 
• Brasileiro tem pela 1ª vez renda menor do que chinês. Entenda como país perdeu espaço global e por que cenário não é otimista. 

• Após 13 anos, Brasil deixa o Haiti entre paz frágil e miséria. Para haitianos, missão da ONU ajudou na proteção, mas usou força excessiva. 
Não tenho medo. Milhares vão às ruas de Barcelona contra o terrorismo. 
• Com inflação alta, venezuelano precisa pagar por dinheiro. Escassez de papel moeda se intensificou com proibições do governo Maduro. 
• As oportunidades comerciais criadas pelo Brexit para o Brasil e a América Latina 
• Brexit. Para analistas, divórcio com União Europeia poderia levar a reaproximação do Reino Unido com países da região. 
• Mineradoras canadenses souberam de extinção de reserva na Amazônia 5 meses antes do anúncio oficial. 
• Busca por desaparecidos após avalanche na Suíça é definitivamente suspensa.
• EI reivindica ataque a militares em Bruxelas, segundo LeSoir.

Recomeça a andar no STF ação sobre encarceramento na segunda instância.
O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, recolocou em movimento a ação sobre a prisão de condenados na segunda instância do Judiciário. Ele informou ao blog que requisitou informações ao Congresso Nacional e à Advocacia-Geral da União. Ouvirá também a Procuradoria-Geral da República. Na sequência, requisitará à presidente da Suprema Corte, Cármen Lúcia, a inclusão do julgamento na pauta do tribunal.
A deliberação anterior teve caráter liminar. Tenho a obrigação de submeter o julgamento final ao plenário, disse Marco Aurélio. Ele reconhece que a tendência é de que seja revertida a decisão tomada em 2016, quando o Supremo autorizou, por 6 votos a 5, o encarceramento de condenados após decisões na segunda instância da Justiça, não mais depois do trânsito em julgado, quando se esgotam todas as possibilidades de recorrer.
Deve-se a perspectiva de reviravolta a um novo posicionamento do ministro Gilmar Mendes. Na última quarta-feira, ele mandou soltar um homem condenado em segunda instância por crime fiscal. Autorizou-o a recorrer em liberdade.
No ano passado, Gilmar votara com a maioria do Supremo, a favor do encarceramento antecipado. No despacho de quatro dias atrás, sinalizou a intenção de dar meia-volta, retardando as prisões pelo menos até o julgamento de recursos no Superior Tribunal de Justiça (STJ), a terceira instância.
Os membros da força-tarefa da Lava Jato consideram a prisão na segunda instância como um marco no combate à corrupção no Brasil. A novidade funcionou como um estímulo para que corruptos e corruptores colaborassem com a Justiça, para diminuir suas penas.
Neste sábado, o juiz Sergio Moro manifestou-se sobre o tema num evento em São Paulo. Na sua avaliação, um eventual recuo do Supremo seria desastroso. Há uma crença que talvez tenha chegado ao fim o tempo da impunidade dos barões da corrupção, disse o magistrado da Lava Jato.
Moro prosseguiu: Mas para que esse tempo realmente chegue ao fim, nós precisamos não só de bons casos concretos, mas nós precisamos também de alterações mais gerais no nosso sistema jurídico.
Arrematou: Para que o Brasil, no entanto, possa eliminar esses quadros de corrupção sistêmica, é preciso dar passos firmes em reformas e uma delas, essencial, é não retroceder.
Com o pedido de Marco Aurélio para a inclusão do tema na pauta, será a terceira vez que o assunto chegará ao plenário do Supremo. No primeiro julgamento, ocorrido em fevereiro de 2016, os ministros decidiram, pelo placar de 7 a 4, que um determinado condenado em segunda instância tinha o direito de recorrer da sentença, mas na prisão.
Foram protocolados no Supremo dois recursos contra essa decisão. Um da Ordem dos Advogados do Brasil. Outro do Partido Ecológico Nacional, que tem como advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, um defensor de encrencados na Lava Jato do porte de José Sarney, Romero Jucá e Edison Lobão.
Em essência, os recursos da OAB e do PEN pedem ao Supremo que reconheça a constitucionalidade do artigo 283 do Código de Processo Penal. Sustentam que esse artigo veda a prisão antes do encerramento definitivo do processo, o chamado trânsito em julgado. Coube a Marco Aurélio Mello a atribuição de relator.
Na conversa com o blog, Marco Aurélio explicou que as ações incluíram um pedido de liminar para suspender a decisão de fevereiro de 2016. Adepto histórico do direito dos réus de recorrer em liberdade, o relator preferiu não decidir sozinho -monocraticamente, como se diz.
Marco Aurélio levou a encrenca ao plenário. A sessão ocorreu em outubro de 2016. Nela, o relator votou a favor da concessão da liminar. Foi vencido. Pela segunda vez, prevaleceu no plenário do Supremo a posição favorável ao acionamento da tranca já na segunda instância. No entanto, o placar foi mais magro: 6 a 5. Se Gilmar virar a casaca, o placar será o mesmo. Só que o resultado se inverte.
Segundo Marco Aurélio, o processo estava parado em seu gabinete por conta de um equívoco. Erradamente, meu gabinete estava aguardando a redação do acórdão do ministro Edson Fachin, disse o ministro ao blog. Mas isso não é obstáculo para a tramitação do processo. Já assinei nesta semana os ofícios pedindo ao Congresso e à Advocacia-Geral da União que se manifestem. a Procuradoria também se manifestará.
Estamos instruindo o processo, acrescentou o ministro. Em seguida, levarei o caso a julgamento. É minha obrigação fazer isso. Pedirei a inclusão na pauta. Cabe à presidente [Cármen Lúcia] definir a data.
Resta agora saber se Cármen Lúcia atenderá à solicitação de Marco Aurélio. Há seis dias, num evento em São Paulo, a presidente do Supremo ouviu de Sergio Moro palavras de preocupação em relação à hipótese de recuo na prisão em segunda instância. A ministra o tranquilizou: Não há nada pautado sobre isso. Não há nada cogitado. Agora há. (Josias de Souza) 

Jovens políticos emergem na América Latina.
A América Latina ostenta um time de presidentes cujas idades lhes garantiria a aposentadoria pela lei de seus países: o peruano Pedro Pablo Kuczynski tem 78 anos; o uruguaio Tabaré Vázquez, 77; o brasileiro Michel Temer, 76; o colombiano Juan Manuel Santos e a chilena Michelle Bachelet têm ambos 65.
Enquanto essa geração começa a se despedir do poder, porém, a região vê surgir lideranças à esquerda e à direita que, à beira dos 40 anos, se apresenta como protagonista de uma nova política.
Alguns disputarão as próximas eleições presidenciais em seus países. Outros preparam terreno para seu voo próprio por trás de candidaturas de líderes mais velhos.
Têm em comum, além do vigor natural da idade, a preocupação em não se mostrarem como extremistas.
Preferem ser rotulados como centro-esquerda ou centro-direita, têm boa retórica, soam informais, fazem questão de participar de eventos em que exista contato direto com o eleitorado e manejam uma boa estratégia de marketing nas redes sociais.
Um dos exemplos é Santiago Peña, 38, candidato à Presidência do Paraguai pelo partido Colorado.
O mundo está mudando, e as sociedades têm buscado candidatos jovens, que demonstrem, além de energia, capacidade de liderança. É o caso de Emmanuel Macron, na França, ou de Justin Trudeau, no Canadá, disse, em entrevista à Folha.
Até aqui, vivíamos uma realidade em que os presidentes chegavam ao cargo no fim da vida, quando é mais difícil promover mudanças, pois a pessoa se torna mais conservadora e sonha menos.
Há países cuja lei impede os jovens de se candidatarem ao principal cargo do Executivo. Além do Brasil, o Chile também impõe uma idade mínima de 35 anos.
Até hoje, isso não era problema, pois a maioria dos políticos lançava-se mais tarde. Mas a situação mudou com as manifestações estudantis de 2011, que criaram uma geração s com vocação política, como os hoje deputados Camila Vallejo, 29, Gabriel Boric, 31, e Giorgio Jackson, 30.
Destes, Boric seria o mais presidenciável, pois é o segundo político chileno com maior aprovação popular -45%, só perdendo para o direitista Sebastián Piñera, favorito do próximo pleito.
Com a impossibilidade de concorrer à Presidência, os membros do grupo formaram a Frente Ampla, conjunto de partidos e agrupações políticas de esquerda que convidou uma jornalista afinada a seus ideais, Beatriz Sánchez, 46, para disputar o pleito em novembro com o ex-presidente Piñera, 67, e o governista Alejandro Guillier, 64.
Nossa aparição no cenário certamente trará a necessidade de discutir a idade mínima, disse Jackson à Folha.
Na Colômbia, destaca-se à direita o senador Iván Duque, 41. Apadrinhado pelo ex-presidente Álvaro Uribe, foi uma das principais vozes na campanha pelo não no plebiscito sobre a paz com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).
Eu acredito em campanhas que instruam, que expliquem nossos argumentos diretamente ao eleitorado, diz. Duque ainda enfrentará uma disputa interna, mas sai favorecido porque o favorito da lista de Uribe, Óscar Iván Zuluaga, foi acusado de ter recebido caixa 2 da empreiteira brasileira Odebrecht.
No México, que não tem reeleição e escolhe o presidente em 2018, a oposição vem se reorganizando para tentar desbancar o PRI (Partido Revolucionário Institucional) de Enrique Peña Nieto.
O direitista PAN (Partido da Ação Nacional) tem tentado mudar sua imagem diante da avaliação negativa da gestão de Felipe Calderón (2006-12), cuja guerra ao narcotráfico deixou milhares de mortos.
A primeira ação foi escolher como presidente do partido Ricardo Anaya, 38, ex-líder da Câmara de Deputados, e incumbi-lo de apresentar uma agenda mais moderna.
Com uma série de atos e uma campanha nas redes sociais, Anaya vem tratando de temas antes periféricos para o PAN, como políticas de gênero e para a juventude. Caberá a ele a decisão final sobre o candidato da legenda.
A política velha e os velhos políticos seguem vendo os jovens como instrumento para alcançar seus propósitos; o PAN de hoje pensa o contrário. Para nós, os partidos e a política devem servir aos jovens, disse Anaya.
Na Argentina, os jovens surgem tanto nas forças estabelecidas como nas novas.
No lado do governo, o presidente Mauricio Macri já se transformou em padrinho de novos líderes que podem disputar sua sucessão caso os índices de aprovação da gestão sigam positivos. São nomes como o do todo-poderoso chefe de gabinete, Marcos Peña, 40, e da governadora da Província de Buenos Aires, Maria Eugenia Vidal, 43.
Do lado do kirchnerismo, há lideranças do La Cámpora, como Juan Cabandié, 39.
Outra novidade é o avanço da jovem Frente de Izquierda, que obteve um desempenho 30% melhor nas últimas primárias em relação à eleição de 2015, fazendo a crítica tanto às políticas de ajuste de Macri quanto à corrupção do kirchnerismo. Seus nomes mais conhecidos são o ex-candidato a presidente Nicolás Del Caño, 37, e a ex-deputada Myriam Bregman, 45.
Há uma demanda dos trabalhadores de indústrias, dos jovens operários, que já não são mais respondidas pelos sindicatos tradicionais. Aí está uma fonte de nosso avanço, disse Bregman à Folha. (Sylvia Colombo, de Buenos Aires) 
Os grandes navegadores devem sua reputação aos temporais e tempestades. (Epicuro)

26 de ago de 2017

Mesmo aturdido, o povo não recua...

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• Chega a cem o número de policiais militares mortos no Rio em 2017. 
• Crise afeta a Saara com o fechamento de mais de 20 lojas em um ano; Três milhões de passageiros perdem direito a Bilhete Único no Estado do Rio. 
• No próximo domingo (27) o Movimento Vem Pra Rua fará atos em 22 cidades brasileiras, desta vez, o movimento se posiciona contra o fundo eleitoral, contra a impunidade e quer a renovação política. O Vem Pra Rua vai divulgar uma lista negativa, ou tchau, queridos, como nome de todos os políticos que não devem ser eleitos e nem reeleitos. O movimento acredita que é necessária, ao lado de outras entidades da sociedade civil, a criação de uma Frente de instituições que além de promover uma agenda positiva para o país, que seja capaz de identificar novos nomes para participarem das eleições de 2018. Por nota, o Movimento Vem Pra Rua afirma que, Embora a agenda inicial da Frente ainda não esteja completamente fechada, alguns princípios do movimento estarão presentes, como por exemplo, a busca por um Estado desinchado e mais eficiente, a crença em um sistema político que represente efetivamente os cidadãos brasileiros e, claro, a luta constante contra a corrupção, que drena recursos essenciais que deveriam estar alocados em prol do povo, em áreas como saúde, educação e segurança. Informações sobre locais e horários podem ser encontrados na página Vem Pra Rua Brasil, no Facebook. 
• IPTU.. uuuu! Uma rebelião na Câmara Municipal ameaça os planos do prefeito Marcelo Crivella (PRB) de reajustar o IPTU. Dos 32 parlamentares que votaram com o governo na terça-feira, 17 dizem agora que mudarão de lado na votação decisiva da semana que vem. Para que isso não ocorra, o grupo exige a volta da vereadora licenciada Teresa Bergher (PSDB) à Câmara para votar pelo aumento do IPTU - ela comanda atualmente a Secretaria de Assistência Social. O grupo se reuniu ontem com o líder do governo, Paulo Messina (Pros), e mandou o recado. Para alterar o IPTU, Crivella precisa de no mínimo 26 votos. A conta não fecha. Dos 32 parlamentares que votaram com o governo na terça-feira, 17 dizem agora que mudarão de lado na votação decisiva da semana que vem. 
• É considerado foragido. Até a noite desta sexta, 25, ele ainda não havia sido encontrado. juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal, do Rio, mandou prender novamente o ex-presidente do Departamento de Transportes Rodoviários do Estado Rogério Onofre de Oliveira na Operação Ponto Final - que investiga a cúpula do Transporte do Rio. A suspeita é que ele tenha ameaçado outros investigados. Ele havia deixado a prisão na quinta solto por Gilmar Mendes. Ex-presidente do Departamento de Transportes do Rio (Detro), acusado de integrar um esquema de corrupção envolvendo o setor de transporte no estado; Diretor da Ftranspor é preso ao tentar esconder computador da lava jato. 
• Janot denuncia Sarney, Renan, Jucá e Blairo na Lava Jato por participação em esquema de corrupção da Transpetro. Delatores Sergio Machado e Fernando Reis também foram acusados. Na denúncia que apresentou contra alguns dos principais líderes do PMDB, o procurador-geral da República Rodrigo Janot pede que a parte relativa ao ex-presidente José Sarney seja transferida para o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara de Curitiba. Sarney é acusado de desviar dinheiro da Transpetro em transações intermediadas pelo ex-presidente da estatal Sérgio Machado. 
• Surpresa no TSE. Novo vice-procurador-geral eleitoral é desafeto do presidente do TSE. Dodge escolhe Humberto Jacques procurador-geral eleitoral. 
• Palocci diz que ex-ministro do STJ recebeu R$ 5 mi de propina. Ex-ministro da Fazenda diz que suborno foi pago a Cesar Asfor Rocha. 
• Janot diz que investigações comprovam acusações de Sérgio Machado contra Temer. 
• OMC pode punir o Brasil pela política industrial do governo Dilma. Política industrial da petista afeta reputação do país na OMC. 
• Um ano de dúvidas. A 12 meses da campanha na TV, incerteza inédita ronda ciclo eleitoral. 
• Moro afirma que seguiu prazo de ação contra Lula. Reportagem da Folha mostrou que recurso do petista teve trâmite mais rápido. 
• Gilmar Mendes: o juiz que discorda do Brasil. Influente, controverso e impopular, o ministro do STF é considerado o principal obstáculo no Judiciário ao avanço da Operação Lava-Jato. 
• O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, atribuiu ao ministro da Agricultura, Blairo Maggi, a função de liderança mais proeminente na organização criminosa delatada pelo ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa (PMDB). O ministro Luiz Fux, do STF, abriu inquérito a partir de delação de ex-governador do MT. 
• Relator levanta sigilo de colaboração premiada de ex-governador de Mato Grosso. Ex-governador Silval Barbosa vai pagar indenização de R$ 70 milhões. Delação monstruosa. Segundo ex-governador, Blairo Maggi e Pedro Taques poderiam barrar investigação. 
• Líder do PSDB pede à casa civil revogação da extinção de reserva na Amazônia. 
• Pará. Dono de barco que afundou mentiu sobre rota e passageiros. Marinha diz que embarcação que naufragou no Rio Xingu estava fora da rota. 
• Sobreviventes de naufrágio na BA relatam que coletes estavam amarrados. 
• Odebrecht entrega cinco discos rígidos com programa de pagamento de propina. 
• Olha o nosso $$$$ aí! Um dos símbolos do governo Sérgio Cabral Filho (PMDB) no Rio, sua casa no Condomínio Portobelo, em Mangaratiba, vai a leilão no próximo dia 3 de outubro pelo preço mínimo de R$ 8 milhões. A decisão é do juiz da 7ª Vara Federal Criminal, Marcelo Bretas, que resolveu leiloar alguns dos bens mais valiosos do peemedebista. Ele está preso desde novembro passado, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro; Carros de ex-secretário de Cabral são leiloados por R$ 263,9 mil. Justiça marca primeiros leilões com bens apreendidos pela Lava Jato. Outro bem cuja propriedade é atribuída a Cabral e vai a pregão é a lancha Manhatan. Oficialmente, a embarcação pertence à empresa MPG Participações, controlada por Paulo Fernando Magalhães Pinto, ex-assessor do peemedebista e apontado como operador do ex-governador. Mas a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) dizem que o ex-governador é o verdadeiro dono do barco. Na lista de bens a serem leiloados, também há três veículos. São dois jipes da marca Mitsubishi. Um está registrado em nome do Coelho e Ancelmo Advogados (escritório da mulher de Cabral, Adriana Ancelmo), avaliado em R$ 120 mil); outro é da própria Adriana e foi avaliado em R$ 240 mil. Há ainda um Hyndai Azera, pertencente a Cabral, avaliado em R$ 76 mil. Será posta em leilão também uma moto aquática, da marca Seadoo, modelo 2012, avaliada em R$ 45 mil, e um jetboat por R$ 50 mil. No despacho em que determina o leilão, Bretas afirma que o lance mínimo permitido para arrematar os bens será o da homologação dos valores da avaliação, acrescido de custas e demais consectários legais. Se não for alcançado o valor mínimo, haverá, no dia 11 de outubro, no mesmo horário e lugar, um segundo leilão. Nele, os bens poderão ser arrematados por valor não inferior a 80% do valor homologado. O leilão será feito no Foro da Justiça Federal Marilena Franco, na Avenida Venezuela, na zona portuária do Rio. 
• Braço direito de Beira-mar e fornecedor do Comando Vermelho é preso em SP. Segundo investigadores, Marcos José Monteiro Carneiro, conhecido como Periquito, é um dos principais fornecedores de armas e drogas para o CV e tem quatro mandados de prisão. 
• Imprensa mundial usa tom crítico sobre ação de Temer na Amazônia. 
• AM escolhe governador-tampão sob risco de abstenção recorde. 
• Arrecadação federal tem pior resultado para julho desde 2010. 
• Abdelmassih é transferido para penitenciária no interior de SP.

• Furacão Harvey perde força mas ameaça o Texas com fortes inundações. 
• Trump impõe novas sanções contra ditadura de Nicolás Maduro. EUA miram petroleira ao punir Venezuela. Trump proíbe americanos de comprarem títulos e repassarem dividendos. 
• Sanções dos EUA são a pior agressão à Venezuela em 200 anos, diz chanceler. Venezuela faz exercícios militares após ameaças de Trump. Maduro tira do ar duas emissoras de rádio. 
• Extinção de área preservada. Mineradoras souberam de fim de reserva 5 meses antes do anúncio. Em março, ministro anunciou decisão ao setor mineral canadense. Imprensa mundial usa tom crítico sobre ação de Temer na Amazônia. 
• BC dos EUA diz ser contra afrouxar regras para banco. Pressionada por aliados de Trump, Yellen sai em apoio a legislação pós-crise. 
• Herdeiro da Samsung é condenado a cinco anos de prisão. O herdeiro da Samsung, Lee Jae-Yong, foi condenado nesta sexta-feira por um tribunal de Seul a cinco anos de prisão por suborno, desvio de fundos, fuga de capitais e perjúrio. 
• Regime de Maduro distribui armas a civis na Venezuela. 
• Coreia do Norte lança mísseis em direção ao Mar do Japão. 
• Agressor atacou dois soldados com faca. Homem é baleado pela polícia em Bruxelas. 
• Ataque em Londres. Homem que feriu policiais perto do Palácio de Buckingham gritou Alá é grande. Incidente passou a ser tratado como ato de terrorismo. 

Juiz Bretas, o rabo, abanou Gilmar, o cachorro.
A desforra veio mais cedo que se imaginava. Dias atrás, o ministro Gilmar Mendes abespinhou-se com o juiz Marcelo Bretas. Chamou de atípico o fato de o magistrado expedir nova ordem de prisão contra detentos que ele, com uma canetada suprema, mandara soltar horas antes. Em geral, é o cachorro que abana o rabo, não o rabo que abana o cachorro, rosnou. Nesta sexta-feira, Bretas, o rabo, abanou acintosamente Gilmar, o cachorro.
Responsável pela Lava Jato no Rio de Janeiro, Bretas ordenou o reencarceramento de Rogério Onofre, outro libertado por Gilmar. O magistrado agiu com método. O encrencado presidira o departamento que deveria fiscalizar empresas de ônibus. É acusado de receber R$ 44 milhões em propinas. Sua libertação fez saltar dos autos um áudio tóxico. Nele, a voz do preso que Gilmar devolveu ao meio-fio ameaça dois clepto-empresários que lhe deviam propinas: Vocês não estão acreditando, rapaz, na sorte. Vocês ainda não morreram porque eu quero receber, mermão.
Acionado pela Procuradoria, Bretas enviou o áudio para Gilmar. Alertou para a gravidade da encrenca. E indagou quais são os limites da sua ação como juiz de primenta instância. Bingo! Gilmar miou. Em despacho endereçado a Bretas, o ministro rendeu homenagens ao obvio. Reconhecer que a bola estava com a Vara do Rio, não com o Supremo. Até a madrugada deste sábado, Onofre era tratado como foragido. Não foi encontrado no domicílio onde Gilmar ordenara que ficasse. Seus advogados asseguravam que ele se entregaria.
No atual estágio, Gilmar frequenta a controvérsia em posição análoga à dos cachorros de antigamente. Eles gostavam de correr atrás de carros. Perseguiam os veículos por algum tempo. Passavam a impressão de que iriam trucidá-los. Mas logo desistiam. Por mal dos pecados, Gilmar não é de desistir. Deve voltar à carga. O prolongamento dos latidos revigora-lhe a alma. (Josias de Souza) 

Até que a morte nos separe.
Quem irá sobreviver a essa barafunda política é um enigma para estudiosos do nosso psicosociodrama eleitoral, mas para quem tem certeza da morte eis uma boa notícia: voltou à televisão a promoção imperdível de 50% de desconto no sepultamento de clientes que vierem a passar desta para melhor em seis meses.
Mas, atenção, além de improrrogável, a promoção é intransferível: só valerá mesmo para os que morrerem antes do decurso do prazo; depois disso, morre o desconto.
Deve ser parte do esforço para a salvação da previdência social, carcomida por benefícios irregulares, assaltada por fraudes jorginianas e ferida pela sonegação dos muito vivos. Agora que o grave problema previdenciário reduziu-se a uma questão demográfica - e não de seguridade social - a mesma televisão traz uma notícia ameaçadora para o sistema de proteção dos aposentados: a de que poderemos viver não 80, 90 ou 100 anos, mas 120 anos.
O geriatra britânico De Grey vai ainda mais longe: garante que o homem poderá viver até mil anos. Está lá no site Sens (sigla em inglês para Estratégias para a Senescência Negligível Engenheirada): no futuro, as biotecnologias de rejuvenescimento cuidarão de restaurar permanentemente nossas células e biomoléculas essenciais.
Será um cansativo tédio assistir repetidas vezes ao embate de renans e jucás, ver o presidente norte-americano declarar guerra pelo twitter, trabalhar como burro de carga por 900 anos, ao invés de apenas 30, e ainda, como um condenado à velhice, suportar as sogras todo esse tempo. Será uma chatice interminável rever os colegas de escola, nas festas de formatura, apenas para conferir quem andará mais acabado.
Viver mil anos, quem quererá? Será o azar dos filósofos e dos poetas da vida breve. Molière já dizia preferir viver dois dias na terra que mil anos na história; em compensação, veremos a supremacia dos que buscam o sentido da vida em milênios.
Poderemos ver a invenção da charrua elétrica, acompanhar a missão do homem à Lua e vê-lo voltar para destruir o planeta Terra com as doenças e as guerras. Poderemos testemunhar os sete séculos do triunfo romano e ainda ter tempo de assistir ao declínio do império. Conhecer pessoas com nomes medievais como Clotário e Pepino. Velejar até o redescobrimento do Brasil, acompanhar a via sacra do seu bate cabeças entre saúvas e jabuticabas e ver deus - até Ele - jogar a toalha e desistir de ser brasileiro, com pedido de desculpas a Cabral, o português.
Ao fim de mil anos, nos despediremos, com Fernando Pessoa: o tédio de viver sempre deve ser imenso. Talvez o inferno seja isso. (Eduardo Simbalista) 
A família é como a varíola: a gente tem, quando criança e fica marcado para o resto da vida. (Jean Paul Sartre)

25 de ago de 2017

Leilões e o fundo do país...

manterisso 
 • Temer diz que tem preocupação zero com delação de Funaro. Nem o conheço, afirmou presidente sobre o novo delator da Lava Jato, apontado como operador de propinas do PMDB; Funaro prevê que acordo seja homologado até semana que vem. 
• STF deve conter Gilmar, pede associação de procuradores. Em carta aberta aos ministros do STF, a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) atacou o ministro Gilmar Mendes: causa perplexidade ao País a desenvoltura com que se envolve no debate público, dos mais diversos temas, fora dos autos, fugindo, assim, do papel e do cuidado que se espera de um juiz
• Menos partidos. Cláusula de barreira e fim das coligações nos pleitos proporcionais avançam na Câmara dos Deputados. 
• Estamos a venda? Pacote de privatizações diminui possibilidade de aumento de impostos, diz Henrique Meirelles. Para ministro, histórico de concessão de aeroportos e telecomunicações mostra que ganhos superam custos; Governo deve acelerar trâmites de leilões para alcançar meta fiscal; Presidente da Infraero: venda de aeroportos dará prejuízo de R$ 3 bi
• Câmara aprova MP que cria TLP para empréstimos do BNDES. Índice será usado já a partir de 2018; críticos dizem que nova taxa encarecerá empréstimos. 
Querem é favorecer a eleição dos mesmos de sempre. (Sérgio Besserman) 
• Tragédias anunciadas. 1) Uma embarcação naufragou próximo à Ilha de Itaparica, na localidade de Mar Grande, na baía de Todos-os-Santos, na Grande Salvador, deixando 18 mortos - entre eles um bebê de um ano. 123 passageiros estavam a bordo. Foi o segundo acidente hidroviário no Brasil em pouco mais de 24 horas. Três são detidos por saquear embarcação que afundou no Pará; Navegação deixa 2.300 mortos em 10 anos. Marinha tem efetivo pequeno para rede navegável do país, de 35,5 mil km. 2) Barco com mais de 70 a bordo naufraga no Rio Xingu; há pelo menos 10 mortos. Até o início da noite de ontem, equipes de resgate confirmaram 15 sobreviventes; um deles relatou que tempestade fez a embarcação Capitão Ribeiro, que fazia transporte clandestino de passageiros, estalar. Grupo nadou por seis horas até as margens. PA: Dono de barco naufragado diz que não havia controle de passageiros. 
• O maná em 25 anos. MPF homologa acordo de leniência da J&F, que pagará R$ 10,3 bilhões de multa. 
• Justiça agiliza processo de Lula no caso do tríplex do Guarujá. Recurso teve o trâmite mais rápido e levou 42 dias para chegar à 2ª instância.
• Abriu para encobrir. Área extinta de reserva na Amazônia tem contaminação. Estudo aponta altos índices de mercúrio em peixes de área da Renca. 
• Zelotes denuncia executivos da Gerdau por corrupção no Carf. Atos praticados configuram os crimes de corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro. O Ministério Público Federal (MPF) denunciou 14 investigados por crimes cometidos junto ao Carf. Trata-se da 17ª ação penal proposta no âmbito da Operação Zelotes e, desta vez, os alvos são executivos do Grupo Gerdau, além de advogados e ex-conselheiros do tribunal administrativo. 
• MPF reabre inquérito sobre pedaladas do governo Dilma. 
• STF mantém proibição do uso de amianto em São Paulo. 
• Caetano Veloso e outros artistas apoiam juiz da Lava Jato no Rio. 
• Jungmann: governo já tem plano para tirar brasileiros da Venezuela. Jucá propõe que Brasil negue refúgio a venezuelanos. Senador diz que fluxo do país vizinho dobraria população de Boa Vista. 
• Tarifa de energia subirá mais que esperado, diz Aneel. Agência estima que a conta de luz possa aumentar até 16,7% com mudanças. Mudança proposta na Eletrobrás pode aumentar conta de luz. A política de descotização de usinas hidrelétricas pode impactar no bolso do consumidor. 
• Procuradoria faz denúncia contra três da Gerdau. Denúncia atinge executivos, mas poupa donos do grupo, que é alvo da Zelotes. 
• Evento de apoio a Bretas junta artistas e juristas. Ato tem ataque a Gilmar Mendes, que criticou juiz da Lava Jato no Rio. 
• Inutilidades a mais. Partidos trocam 'P' por slogans para eleições de 2018. Legendas mudam de nome para palavras como Avante, Mude e Patriota. 
• Principais credores da Oi se unem para apresentar proposta de reestruturação. Plano do grupo, que detém um terço da dívida total da operadora, prevê injeção de R$ 3 bilhões na tele e a conversão de 88% do débito em ações e a emissão de novos títulos; operação não tem a participação do egípcio Naguib Sawiris. 
• Precisa de exorcismo? De volta à F1 após ausência na Hungria, Massa perde controle do carro e bate no início do primeiro treino na Bélgica. 

• Cafezinho equivale na Venezuela a 60 tanques de gasolina. Dono da maior reserva de petróleo do mundo, país não tem sabão nas prateleiras. 
• Ventos e vulcões ajudam a iluminar o Chile. Com capacidade para abastecer 165 mil lares, nova usina é mais um passo em direção à energia renovável e limpa.
• Odebrecht vende a 3ª maior hidrelétrica do Peru para consórcio China Three Gorges por R$ 4,4 bi. Maior parte do valor será usada para quitar dívidas com bancos que financiaram a construção da usina. 
• Ex-procuradora liga cúpula chavista a propinas e distribui provas entre países. Luisa Ortega diz que detectou depósito de US$ 100 milhões da Odebrecht na Espanha em nome de 2 primos de Cabello, um dos líderes do chavismo, e Maduro mantém, por meio de terceiros, empresa mexicana que distribui cestas básicas na Venezuela. 
• Apoio a Macron cai à metade na França após cem dias. Proposta de reforma trabalhista ajuda a derrubar apoio do líder para 37%. 
• Após ataque em Barcelona, Turim instala vasos gigantes em sua rua mais movimentada. 

Pela quarta vez em menos de três meses, o ministro Henrique Meirelles (Fazenda) exibiu sua pose de presidenciável num evento evangélico. 
Compareceu nesta quinta-feira à Convenção da Assembleia de Deus, na cidade mineira de Juiz de Fora. Discursou sobre economia, ouviu palavras de estímulo à sua hipotética candidatura e concedeu uma entrevista. Nela, falou sobre a importância do diálogo com a comunidade evangélica -são 30 milhões de pesssoas no país. E respondeu gostosamente a uma indagação sobre 2018.
Evocando uma entrevista que Meirelles deu à Folha, um repórter atiçou o ministro: O senhor disse recentemente que o discurso reformista vai vencer as eleições de 2018. Escutou aqui a confiança de uma candidatura do senhor no ano que vem. Qual pode ser o nível de confiança de uma candidatura de Henrique Meirelles?
Ao responder, o ministro calibrou as palavras de modo a não ficar tão próximo de uma candidatura que amanhã tenha que ficar distante, nem tão distante que amanhã não possa se aproximar.
No momento, eu estou totalmente concentrado e focado no meu trabalho, visando fazer com que o Brasil volte a crescer, disse Meirelles. Não trabalho pensando em hipótese de futuro. […] O Brasil está voltando a crescer e nós precisamos continuar criando as condições para isso. […] A partir daí, o país voltando a crescer, nós estamos atingindo o nosso objetivo.
Ex-tucano, ex-peemedebista, hoje filiado ao PSD, Meirelles incluiu os evangélicos no seu radar político em junho. Antes do evento desta quinta, participara de uma convenção de todas as assembleias de Deus do Brasil, prestigiara a festa dos 106 anos desta denominação religiosa, e dera as caras no aniversário de Manuel Ferreira, bispo primaz da igreja.
Mantido esse ritmo, Meirelles só esquentará a cadeira de ministro por mais sete meses, pois as autoridades que desejarem disputar mandatos eletivos em 2018 terão de deixar seus cargos no início de abril. Até lá, Meirelles terá de entregar crescimento econômico e empregos. De resto, não poderá descuidar de uma máxima cunhada pelo ex-presidente Janio Quadros: Política é como fotografia. Se a pessoa mexe muito, não sai. (Josias de Souza) 

No país do direito achado no arbítrio, professora espancada vira um símbolo do vale-tudo e do ódio.
Flechas de bambu cruzam os céus do país. É Rodrigo Janot recitando seus últimos cantos de morte da reputação alheia. No mês que vem, ele cai fora da Procuradoria-Geral da República e não vai se aposentar, não! Buscará a proteção do foro especial -que ele e seus amigos buliçosos de Curitiba, para incitar a fúria ignara, chamam de privilegiado. Vai se aboletar como subprocurador em alguma repartição que demanda esse tipo de serviço. 
Tem até abril do ano que vem para se filiar a algum partido caso queira concorrer a um cargo eletivo. Conservará, então, memória do que fez em verões passados e buscará se preservar do direito criativo que ajudou a consagrar. Está por pouco. Até a despedida, pretende denunciar tudo o que não tem como provar. Afinal, podem-lhe faltar as evidências, mas jamais lhe falecerá a convicção. 
Desde terça-feira, quando se anunciou que o operador -essa ocupação é um mimo que acabou ganhando lugar na imprensa- Lúcio Funaro havia fechado um acordo de delação premiada, comecei a contar as horas para algum vazamento barulhento.
Janot abriu, como é notório, uma concorrência pública entre o corretor de valores (outro eufemismo influente para Funaro) e o ex-deputado Eduardo Cunha. O ainda titular da PGR tem em mãos algo bastante cobiçado por bandidos: a impunidade ou quase. Numa disputa assim, é grande a chance de que fique com as batatas o que tem menos pudor, não o que tem mais a contar. 
Para o criminoso ter direito a tal benefício, estava posto, era preciso saber quem atingiria de forma mais contundente o presidente Michel Temer e toda a cúpula do PMDB. O dito combate à impunidade no país está se fazendo da incapacidade de investigar e de produzir provas e da licença para arrancar delações de presos reais e potenciais.
A conta segundo a qual a maioria das colaborações se deu com os acusados em liberdade é para convencer energúmenos. O medo da cadeia pode ser ainda mais convincente do que a própria. Num modelo sem regras -e há muito o artigo 312 do Código de Processo Penal é letra morta, como sabem os especialistas em direito-, a ameaça é sempre um forte argumento. 
Funaro venceu a parada. Atendeu à expectativa. Na inesquecível entrevista à Folha do dia 7 de agosto, Janot cantou a bola com a desfaçatez de quem dispõe do arbítrio, não da lei.
Os jornalistas quiseram saber o que uma figura como Cunha teria de entregar para conseguir fazer um acordo. Ele não hesitou e até se socorreu da mímica para que o desenho ficasse mais evidente: O cara está neste nível aqui [faz um sinal com uma mão parada no ar], ele tem que entregar gente do andar para cima [mostra um nível acima com a outra mão]. Não adianta ele virar para baixo, não me interessa.
Cunha presidia a Câmara quando caiu em desgraça. No andar acima, está o presidente da República.
O país e a política derivados do direito achado no arbítrio estão nas ruas e nas redes sociais. Seu emblema poderia ser a professora esquerdista que diz ser uma revolução jogar ovo num adversário ideológico. 
Espancada por um aluno em ocorrência que nada tem a ver com a política, tal professora é alvo da fúria dos partidários daquele político. Eles fingem, sim, lamentar a violência, mas deixam claro que a professora sabe muito bem por que está apanhando e é, de fato, a verdadeira responsável pela surra que levou. 
É nesse ambiente que a condenação de Lula chega ao TRF-4. E aí, leitor? Você escolhe a absolvição que traz a possibilidade de o petista se eleger presidente ou a confirmação do veredito de um juiz que admitiu não ter levado em conta o conteúdo da denúncia ao condenar?
É um jogo de perde-perde. Melhor pensar com calma, mirando a foto da professora espancada que acha "uma revolução" jogar ovos em adversários. (Reinaldo Azevedo)
Época triste a nossa... mais fácil quebrar um átomo do que o preconceito! (A. Einstein)