25 de jul de 2017

A outorga do Rio ao Pezão mostra...

• Governo quer economizar R$ 1 bi por ano com Programa de Demissão para servidores federais. Equipe econômica conta com a adesão de 5 mil funcionários do Executivo; medida será analisada por Temer.
• Mais impostos. Diante da perspectiva de não cumprir a meta fiscal, governo jogou a toalha e anunciou aumento de impostos, numa semana com boas notícias no setor externo, nova, mas mais lenta, criação de vagas no emprego formal e inflação cada vez mais no pé; Ministro da Fazenda diz que tudo é possível sobre alta de impostos. Meirelles também afirmou que a discussão de novos aumentos não deve ocorrer agora.
• Justiça julga amanhã processo sobre reajuste do Bilhete Único, de R$ 3,80 para 3,95.
• Brecha na Lei da Ficha Limpa pode beneficiar Lula em 2018. Dispositivo permite que condenado vá ao STJ para garantir candidatura. 
• Defesa de Cabral tenta barrar juiz de ação penal sobre joias de Adriana Ancelmo. 
• Depois de oito meses, STF destrava processo contra Renan Calheiros. Celso de Mello destrava ação por peculato aberta no STF em 2016. 
• Enquanto Michel Temer articula para derrubar denúncia por corrupção passiva em votação na Câmara, no início de agosto, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, estuda apresentar mais uma denúncia contra o presidente - e não duas, como chegou a ser cogitado em junho; A nova acusação formal deve tratar dos crimes de obstrução de Justiça e organização criminosa. A intenção é reforçar a ligação de Temer com o PMDB da Câmara, suspeito de praticar desvios na Petrobrás e na Caixa, e de tentar travar a delação do ex-deputado Eduardo Cunha e do corretor Lúcio Funaro com a ajuda de Joesley Batista, da JBS; O oferecimento da nova denúncia até setembro, quando acaba o mandato de Janot, depende do encerramento do inquérito que investiga o PMDB da Câmara pelo crime de quadrilha. 
• Em jantar com Alckmin, o DEM sinaliza apoio para 2018 e fala em bancada de 50 deputados. Segundo um dos presentes, a reunião, que contou com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o senador e presidente da sigla, José Agripino Maia, foi uma deferência ao governador, visto como um aliado histórico do partido. 
• Abuso corrigido. PF acerta ao apontar que articulações políticas para frear Lava Jato, embora reprováveis, não configuram crime. 
• Investigados na Lava Jato abrem mão de foro privilegiado. Parlamentares pedem que apurações sobre eles sejam enviadas à 1ª instância. 
• Maioria dos julgados no mensalão tem vida discreta. Ao menos 5 de 26 condenados enfrentam novos processos, agora na Lava Jato. 
Piratas roubam combustível e equipamentos de refinarias da Petrobras. Um dos alvos é a Refinaria da Petrobras em Manaus, unidade que abastece Região Amazônica. 
• Ex-secretária de Kátia Abreu é presa levando R$78 mil à Bolívia.
• Desvios na Eletronuclear. MPF prorroga por 6 meses trabalhos da Lava Jato no Rio de Janeiro. 
• O Ministério Público Federal prepara denúncia contra o grupo Gerdau. Depois de ajuizar ação contra executivos do Bank Boston, a Operação Zelotes mira esquema de compra de decisões no Carf pela siderúrgica. Procurado pelo Estado, grupo nega irregularidades. 
• Operação Zelotes: ex-diretor do Bank Boston e mais 10 viram réus. 
• Mais de 500 servidores são banidos por corrupção em um ano. 
• Brasileiros relatam escravização por igreja americana. Ex-fiéis dizem ter trabalhado de graça e sido surrados; WFF nega acusações. Reportagem especial da agência Associated Press revela que a Word of Faith Fellowship usou seus dois braços no Brasil - em Franco da Rocha (SP) e São Joaquim de Bicas (MG) - para levar jovens para trabalhos forçados em propriedades de líderes da entidade. 
• Governo Temer quase esgota verba de publicidade já no primeiro semestre. 
• Dirigível fabricado no Brasil estreia nos ares no interior de São Paulo. Projeto de transporte de cargas consumiu investimento de R$ 150 mi e está em fase de testes. 
• Vacina contra aftosa será modificada após veto dos EUA à carne brasileira. Composto não terá mais substância apontada como responsável por caroços que motivaram barreira. 
• Ministério Público pede afastamento de diretoria da CBF. Ação quer ainda anular assembleia que mudou sistema eleitoral da entidade. 

País falido, jogando dinheiro fora!
O governo federal anuncia aumento de impostos para compensar um gasto público que está ampliando o déficit previsto. Ah! Que coisa! Quem poderia imaginar qualquer desses dois fatos, ou seja, o gasto superior ao previsto e a solução fiscal encontrada? Estamos diante de uma situação recorrente, apenas agravada pela prolongada recessão que só as toupeiras não anteviam diante do regime de Copa franca e Olimpíada por conta da casa, que vigorou nisso e em tudo mais ao longo dos últimos oito anos do governo petista. Quem dizia que tudo acabaria em roubalheira e prejuízo era muito mal visto. Faz 10 anos, mas eu lembro.
Era o tempo das vacas gordas e a nação jazia sob um governo, partidos e corporações funcionais suficientemente tolos para imaginar que aquilo iria durar para sempre. Como resultado dessa malfadada conjugação, a despesa continuou crescendo mesmo quando a receita começou a cair.
Em sua coluna de hoje (21/07) em Diário do Poder, o jornalista Claudio Humberto registra algo que mencionei durante recente palestra que fiz a um público convidado por entidades empresariais de Passo Fundo. O número é impressionante: o Palácio do Planalto, sede do governo brasileiro, tem 10 vezes mais servidores do que a Casa Branca, sede do governo dos EUA. São 3,8 mil no Planalto, 377 no staff de Trump e na cúpula do seu governo.
Não tenho os números do Congresso deles, mas duvido que a proporção seja muito diferente. Nossas duas Casas, juntas, têm 28 mil servidores, na soma dos efetivos, comissionados e terceirizados. Não é diferente a situação, com mordomias e penduricalhos, nos órgãos do Poder Judiciário, seus conselhos e no TCU. Nem é diferente a explicação para o fundão de R$ 3,5 bilhões que deverá irrigar a campanha eleitoral do ano que vem.
A questão que proponho aos leitores é esta: houve algum movimento, por menor que seja, no sentido de reduzir os custos fixos nessas posições privilegiadas do serviço público? O contexto de dificuldades que afeta postos de saúde, hospitais, escolas, obras de infraestrutura tem algum reflexo no topo das instituições? Nada! Restrições passam longe dessas cadeiras de espaldar alto.
Observem a Venezuela. Enquanto incendeia sua miséria na valeta do comunismo caudilhesco, Maduro proclama que as dificuldades da economia são resultado da resistência dos empresários e do capitalismo. Aqui, seus parceiros ideológicos não ensinam diferente: a culpa dos problemas do país é do tal mercado e sua lógica. No entanto, a situação nacional seria bem outra se o setor público respeitasse a lógica de mercado na composição de seus quadros e na remuneração de seu pessoal. Qual é o artifício capaz de justificar o fato de que, no Primeiro Mundo, certas funções tenham um décimo do número de servidores custeados pelo pagador de impostos brasileiro? Isso descreve uma das essências do socialismo: o Estado como grande empregador, remuneração privilegiada para o topo do poder político e o restante trabalhando para pagar a conta. Tudo bem de esquerda, não é mesmo? (Percival Puggina, arquiteto, empresário e escritor) 

Fanatismo e interesse.
O fanático não tem parentes ou amigos. Suas relações se forjam em torno da causa que abraça. Ele não enxerga virtudes individuais em ninguém. Mudou de posição, os laços imediatamente se rompem. E não titubeia em largar para trás a família.
É uma pessoa que odeia o mundo em que vive, onde não encontra sentido para a vida. Apega-se à causa de um grupo, cria uma realidade paralela e ignora tudo o que não estiver de acordo com a verdade em que acredita.
Por isso, o fanático é inconfiável. É uma pessoa que pode, de uma hora para outra, deixar o suposto amigo morrer à míngua ou criar situações para que terceiros massacrem aquela pessoa porque deixou de comungar de seus pensamentos delirantes.
O fanatismo separa as pessoas entre as boas - as que defendem a mesma causa - e as más - as que se posicionam contra ou de forma independente. As demais pessoas são vistas como massa manipulável pelo discurso.
Mesmo que o sujeito seja assaltante, estuprador, estelionatário e psicopata, é considerado do bem se estiver com a causa do fanático. Mexeu com ele, mexeu comigo!, adverte.
Quando alguém pondera sobre a conduta de algum grupo ligado à causa, o fanático já aponta para outro lado e desfia as misérias do mundo, dizendo que tudo são detalhes e o mais importante é a construção de um outro mundo.
Não importa os meios - assassinatos em massa, corrupção, destruição das famílias, o fim da liberdades, a mentira e a força bruta -, os fins justificam tudo.
O fanático não tem amigos, apenas interesses. (Miguel Lucena, delegado de Polícia Civil do DF e jornalista)
A família é como a varíola: a gente tem quando criança e fica marcado para o resto da vida. (Jean Paul Sartre)

24 de jul de 2017

Um grande país com enormes problemas.

• Rio tem 91ª morte de policial militar no ano. Sargento morreu em operação no Vidigal, na zona sul da capital fluminense. 
• Pezão anuncia sexta, dia 28, um programa para o combate ao roubo de carga (subiu 67,5% entre 2014 e 2016) e à pirataria (cigarros, por exemplo). Detalhes do programa, que inclui a ação de soldados da Polícia Rodoviária Federal recém-chegados ao Rio nos principais acessos ao estado, foram discutidos quinta, no Palácio Guanabara, com cerca de 70 empresários do setor e o secretário da Casa Civil e Desenvolvimento Econômico, Christino Áureo. 
• Casa da Moeda volta a confeccionar passaportes nesta segunda-feira. 
• Após volta do pato da Fiesp, Temer se reúne com Skaf. Ao longo da semana, entidade fez duras críticas ao ministro Henrique Meirelles, que também esteve na casa do presidente em São Paulo. 
• Dívida pública cresceu de R$ 3,253 trilhões para R$ 3,357 trilhões. 
• FMI eleva para 0,3% previsão do PIB este ano e rebaixa para 1,3% em 2018.
Alta de imposto sobre combustível foi necessária. Para ministro Dyogo Oliveira, do Planejamento, medida veio por queda na arrecadação e frustração com receitas; por todo o país aumentos nos postos e nos supermercados mostram como esse aumento foi nefasto. 
• Como Lula, Gleisi poderá estar presa na campanha eleitoral de 2018. Gleisi pode ser condenada e presa antes da eleição. Lula também. 
• Deputados discutem mudanças nas regras de delação premiada, prisão preventiva e condução coercitiva. Também estudam revogar o entendimento de que penas podem começar a ser cumpridas após condenação em segunda instância. O debate vem sendo feito na comissão especial que discute o novo Código de Processo Penal (CPP) e atinge medidas que viraram pilares da Lava Jato. 
• A expectativa é de que o relator, João Campos (PRB-GO), entregue seu parecer em agosto. Com isso, o projeto pode ser votado até outubro no plenário da Câmara. Atualmente, a delação premiada é regulada pela lei de organizações criminosas, de 2013. No atual código, a prisão preventiva não tem duração determinada e a condução coercitiva não prevê punição em caso de uso abusivo. A reforma do CPP ficou esquecida na Câmara até 2016, quando foi desengavetada pelo então presidente, Eduardo Cunha. 
• Luz mais cara. Num imposto disfarçado aumento de até 7% na conta de luz que o próprio governo admite, caso entre em vigor o novo modelo do setor elétrico, ainda em fase de consulta pública. Vamos engolir? 
• De acordo com a análise de Rogério Taffarello, advogado e mestre em direito penal pela USP, a colaboração premiada está prevista em lei e à disposição para ser usada tanto por investigadores quanto por investigados, no último caso como meio de defesa. Porém, trata-se de instrumento ainda novo e que tem gerado questionamentos na prática forense, hoje ressonantes no Congresso. 
• Além da discussão sobre o Novo Código de Processo Penal, os políticos também começam a se articular para as próximas eleições. Conforme explicado na Coluna do Estadão, os partidos agora vão ter de priorizar os candidatos mais competitivos. 
• Novo Código Penal pode rever delação e preventiva. Comissão da Câmara discute mudanças na regra da colaboração premiada e prazo de até 180 dias para a prisão provisória, medidas consideradas pilares da Lava Jato.
• A mãe chilena que cobrou de Maia lealdade. Mariangeles, mãe do presidente da Câmara e primeiro na linha sucessória da Presidência, teria pedido para ele não conspirar contra Temer. 
• Impasses travam R$ 30,5 bi em investimentos em obras. Indefinições contratuais, morosidade do governo, dificuldade de crédito e até a Operação Lava Jato emperram avanços. 
• A miséria da esquerda. Os intelectuais petistas começam a admitir em voz alta: a esquerda - como eles a entendem - é totalmente dependente de Lula para existir como força eleitoral 
• Vicente Cândido é cartola da CBF. Petista escolhido por Maia para ser relator da reforma política é visto por colegas como pragmático e bem relacionado com governistas. 
• Programas de demissão nas estatais atingem 77% do alvo. Com orçamento apertado e despesas de pessoal cada vez maiores, o governo federal desligou 50.364 funcionários das estatais nos últimos anos com programas de demissão voluntária e aposentadoria incentivada. 
• Nas eleições, ministros do TSE criticam voto impresso, que deve custar R$ 2,5 bi. 
• Diretor jurídico da JBS foi orientado até na roupa. PF auxiliou executivo ao gravar conversa com advogado e procurador presos. 

• Maduro e oposição trocam acusações na Venezuela. A uma semana de votação da Constituinte, opositores prometem protestos; Na Venezuela, o presidente Nicolás Maduro ameaçou prender um por um dos juízes nomeados pelo Parlamento, que tem maioria opositora. 
• Nos EUA, Trump deve aceitar sanções à Rússia. Democratas e Republicanos negociam lei no Congresso para punir o Kremlin. 
• Saqueadores de túmulos roubam relíquias da China. Com o preço de alguns objetos chegando a dezenas de milhões de dólares, os ladrões em busca do enriquecimento rápido foram ao interior. Em 2016, a Administração Estatal do Patrimônio Cultural da China relatou 103 casos de roubo de túmulos e relíquias culturais. 
• Trump dá sinais contraditórios em sanções contra Rússia. Projeto acordado por partidos deverá ser votado pelo Congresso nesta semana.

Com poucos recursos, partidos vão priorizar candidatos competitivos.
Com dinheiro escasso para bancar as campanhas de 2018 e sem poder contar com financiamento privado, os partidos serão obrigados a ser muito mais seletivos na hora de definir em quais candidatos colocarão recursos. Segundo o ministro da Ciência, Tecnologia e Comunicações, Gilberto Kassab, principal nome do PSD, a tendência será seguida por todas as siglas. Não tem como ser diferente. A partir de agora, campanhas mais competitivas serão a prioridade. Ninguém vai ter dinheiro para apostar em candidaturas sem chances.
Planos. Kassab já decidiu que vai disputar as próximas eleições. Ainda reflete sobre se concorrerá ao governo de São Paulo ou uma vaga para o Senado. No limite, aceita ser vice do senador José Serra (PSDB), se ele tentar voltar ao Palácio dos Bandeirantes.
Próximos capítulos. Longe de terminar, a divergência interna no PSDB ganhou outro episódio. Agora, o partido rachou na decisão sobre quem deverá substituir Aécio Neves no comando do partido.
O vento mudou. Já não é consenso a manutenção do senador Tasso Jereissati (CE) no posto. Um forte movimento, que inclui importantes tucanos de São Paulo, quer ver o governador de Goiás, Marconi Perillo, à frente do PSDB.
À espera. Presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) vai designar o líder do DEM, Efraim Filho, para relatar o fim do foro privilegiado para autoridades na Câmara.
Topa tudo. A aliados, Michel Temer começou a admitir que aceita alterações no texto da reforma da Previdência para que ela seja votada na Câmara.
Bate cabeça. O problema é que até mesmo as possíveis mudanças a serem feitas não são consensuais.
Não arredo o pé. A quem liga para saber se vai recuar da apresentação da Emenda Lula, Vicente Cândido (PT-SP) diz que prefere manter a coragem de assumir a autoria do que ter a covardia de recuar.
Apetite. Se os presidenciáveis começaram a colocar seus blocos na rua, os candidatos aos governos estaduais estão mais acelerados ainda.
Duelo. Na Bahia, por exemplo, a possível disputa entre o governador Rui Costa (PT) e o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), deflagrou uma batalha para mostrar quem realiza mais.
Monitoramento do governo nas redes sociais identificou na alta do tributo dos combustíveis o pior cenário de rejeição de Michel Temer desde a crise gerada pela gravação do presidente, por Joesley Batista, nos porões do Jaburu. O repasse imediato do aumento para o preço nas bombas de gasolina incendiou a internet e forçou o governo a repensar a estratégia para amenizar o impacto negativo. Para aliados, o que pegou mal mesmo foi a frase de Temer dizendo que o povo vai entender o reajuste. A medida aumentou a irritação na base aliada.
Para compensar. O Planalto espera que a queixa contra os impostos diminua um pouco com o anúncio da redução dos juros em um ponto porcentual esta semana.
Socorro. Na reunião feita no Planalto para discutir a crise da segurança no Rio, o chefe do GSI, Sérgio Etchegoyen, admitiu que tem recebido cobranças de familiares que moram no Estado. Pelo Whatsapp, tem sido questionando sobre o aumento da violência.
Esticadinha. Os ministros Bruno Araújo (Cidades), Aloysio Nunes (Relações Exteriores) e Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) prolongaram a estadia em Mendoza e não voltaram ao Brasil. Só Henrique Meirelles (Fazenda) retornou por causa da péssima repercussão do aumento dos impostos.
Agora vai. Presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE) vai atender ao pedido do senador José Serra (PSDB-SP) e instalar uma comissão para discutir a reforma política no Senado na primeira semana de agosto. Em aberto. A relatoria da comissão deve ser entregue a Serra, que defende o sistema distrital misto e o parlamentarismo. A presidência não está definida.
Recálculo. Autoridades do governo que avaliam o acordo de leniência da Camargo Corrêa querem que a empresa devolva aos cofres públicos bem mais que os R$ 700 milhões acertados com a Lava Jato. Alegam que a empreiteira desviou montante muito maior que o pactuado com os procuradores da República como forma de compensar o País pelo envolvimento em esquemas de corrupção. (Estadão) 

O fiasco de Lula.
Está cada vez mais claro que o ex-presidente só está mesmo interessado em evitar a cadeia, posando de perseguido político.
Faltou povo no ato que pretendia defender Lula da Silva, na quinta-feira, em São Paulo e em outras capitais. Apenas os militantes pagos - e mesmo assim nem tantos, já que o dinheiro anda escasso no PT - cumpriram o dever de gritar palavras de ordem contra o juiz Sérgio Moro, contra o presidente Michel Temer, contra a imprensa, enfim, contra eles, o pronome que representa, para a tigrada, todos os inimigos do povo.
À primeira vista, parece estranho que o maior líder popular da história do Brasil, como Lula é classificado pelos petistas, não tenha conseguido mobilizar mais do que algumas centenas de simpatizantes na Avenida Paulista, além de outros gatos-pingados em meia dúzia de cidades. Afinal, justamente no momento em que esse grande brasileiro se diz perseguido e injustiçado pelas elites, as massas que alegadamente o apoiam deveriam tomar as ruas do País para demonstrar sua força e constranger seus algozes, especialmente no Judiciário.
A verdade é que o fiasco da manifestação na Avenida Paulista resume os limites da empulhação lulopetista. A tentativa de vincular o destino de Lula ao da democracia no País, como se o chefão petista fosse a encarnação da própria liberdade, não enganou senão os incautos de sempre - e mesmo esses, aparentemente, preferiram trabalhar ou ficar em casa a emprestar solidariedade a seu líder.
Está cada vez mais claro - e talvez até mesmo os eleitores de Lula já estejam desconfiados disso - que o ex-presidente só está mesmo interessado em evitar a cadeia, posando de perseguido político. A sentença do juiz Sérgio Moro contra o petista, condenando-o a nove anos de prisão, mais o pagamento de uma multa de R$ 16 milhões, finalmente materializou ao menos uma parte da responsabilidade do ex-presidente no escândalo de corrupção protagonizado por seu governo e por seu partido. Já não são mais suspeitas genéricas a pesar contra Lula, e sim crimes bem qualificados. Nas 238 páginas da sentença, abundam expressões como corrupção, propina, fraude, lavagem de dinheiro e esquema criminoso, tudo minuciosamente relatado pelo magistrado. Não surpreende, portanto, que o povo, a quem Lula julga encarnar, tenha se ausentado da presepada na Avenida Paulista.
O fracasso é ainda mais notável quando se observa que o próprio Lula, em pessoa, esteve na manifestação. Em outros tempos, a presença do demiurgo petista com certeza atrairia uma multidão de seguidores, enfeitiçados pelo seu palavrório. Mas Lula já não é o mesmo. Não que lhe falte a caradura que o notabilizou desde que venceu a eleição de 2002 e que o mantém em campanha permanente. Mas seu carisma já não parece suficiente para mobilizar apoiadores além do círculo de bajuladores.
Resta a Lula, com a ajuda de seus sabujos, empenhar-se em manter a imagem de vítima. Quando o juiz Sérgio Moro determinou o bloqueio de R$ 600 mil e de bens de Lula para o pagamento da multa, a defesa do ex-presidente disse que a decisão ameaçava a subsistência dele e de sua família. Houve até quem dissesse que a intenção do magistrado era matar Lula de fome. Alguns petistas iniciaram uma vaquinha para ajudar Lula a repor o dinheiro bloqueado - e a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, durante o ato na Paulista, disse que essa é a diferença entre nós e a direita: nós temos uns aos outros.
Um dia depois, contudo, o País ficou sabendo que Lula dispõe de cerca de R$ 9 milhões em aplicações, porque esses fundos foram igualmente bloqueados por ordem de Sérgio Moro. A principal aplicação, de R$ 7,2 milhões, está em nome da empresa por meio da qual Lula recebe cachês por palestras, aquelas que ninguém sabe se ele efetivamente proferiu, mas pelas quais foi regiamente pago por empreiteiras camaradas.
Tais valores não condizem com a imagem franciscana que Lula cultiva com tanto zelo, em sua estratégia de se fazer de coitado. Felizmente, cada vez menos gente acredita nisso. 
Em todas as tribulações somos mais que vencedores por meio daquele que nos amou. (RM 8,37)

23 de jul de 2017

Rio segue com assaltos, explosões e mortes...

• Forças Armadas farão ações surpresa no Rio, diz ministro da Defesa. 
• 97º agente morto em 2017. Policial é morto em ataque à UPP do Morro do Vidigal. 
• Crivella não faz multiplicação de pães. Novas regras do IPTU prometem justiça fiscal e fim das distorções. Imóveis que têm isenção do imposto vão passar a contribuir. Cálculos estavam defasados há 20 anos. 
• Regiões mais ricas geram emprego enquanto a crise atinge o Nordeste. Com força do agronegócio e das indústrias, interior representa metade dos postos formais de 2017; taxa despenca entre trabalhadores rurais nordestinos. 
• Governo dobra imposto sobre gasolina e corta R$ 5,9 bi em gastos; Inflação, juros e suspense. Parece haver condições para novos cortes de juros, na faixa dos 0,75 a 1 ponto. Mas a avaliação de riscos é complexa e não haverá surpresa se os dirigentes do BC levarem em conta o fator Rodrigo Janot. 
• População não compreende aumento de impostos senhor Temer! 
• Maia tenta se livrar da pecha de traidor para ficar no jogo. Sucessor imediato ao Planalto caso Temer seja afastado, ele está mais discreto. 
• Gesto do presidente beira a deslealdade, diz líder do DEM. Efraim critica tentativa de Temer de negociar com dissidentes do PSB. 
• Moro proíbe venezuelano investigado na Lava Jato de deixar o País. Rodrigo Andrez Cuesta Hernandes era prestador de serviços da Mossack & Fonseca, usado por diversos condenados da Lava Jato para criar offshores no exterior. 
• Pode ou não pode? Rodrigo Maia é campeão no uso de jatos da FAB. Presidente da Câmara usou os jatinhos da FAB 117 vezes este ano. 
• O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tem sido citado como simpatizante do PT e de outros segmentos da esquerda, mas a verdade é que ao denunciar Lula e Dilma ao Supremo Tribunal Federal, em maio de 2016, ele foi tão duro como contra qualquer outro acusado. Para Janot, seria impossível a organização criminosa atuar por tanto tempo no governo sem que o ex-presidente Lula dela participasse.
• JBS diz que esquema começou em MS e entrega listas de nomes. Esquema no Mato Grosso do Sul funcionava com base em falsas vendas de gado, que disfarçavam propina; Joesley reclama da fama de corrupto após divulgação de áudios com Temer; Joesley Batista quebra silêncio e fala de delação como renascimento
• Troca-troca para salvar Temer desfigura órgão da Câmara. Novatos na CCJ assumirão projetos que estavam com parlamentares experientes. 
• A Justiça paraguaia confirmou a extradição de Jarvis Pavão para o Brasil. O narcotraficante brasileiro é apontado como um dos maiores criminosos em atuação no país vizinho. Ele é acusado de se associar ao PCC para eliminar o ex-sócio Jorge Rafaat e assumir o controle do tráfico de drogas e armas para o Brasil. 
• Quem paga pelo ensino. Gasto desproporcional na educação superior pública agrava iniquidades; custos devem ser compartilhados por alunos mais afluentes.
• Anvisa vai criar regras para cultivo de maconha medicinal. Autorização deve ser dada para empresas e universidades, afirma diretor; Uruguai na vanguarda. Política do vizinho para a legalização da maconha mostra como um paradigma insensato cede a um modelo muito mais racional. 
• Governo federal libera R$ 700 milhões e admite até abastecer viaturas no Rio. Com o Estado em crise financeira e em meio a uma onda de violência, os recursos não serão entregues para o governo porque há temor de que sejam destinados a outras atividades. 
• Empresa de avião de Temer está proibida de voar. Anac suspendeu o registro da Colt, que forneceu 767 alugado pela FAB. 
• Abertura de capital do Carrefour demonstra força do Brasil, diz Abilio. IPO da varejista francesa na bolsa brasileira foi a maior operação desse tipo desde 2013. 
• Nova lei municipal prevê multa para quem fizer barulho. A partir de agora, quem exceder ao limite máximo de decibéis permitido e perturbar o bem-estar e o sossego público ou da vizinhança ficará sujeito a multas de R$ 500 (pessoas físicas), e R$ 5 mil (pessoas jurídicas), de acordo com a Lei 6.179/2017, promulgada pelo Presidente da Câmara Municipal do Rio em 22 de maio e regulamentada pelo Decreto 43.372, de 30 de junho; O artigo 1º esclarece que a Lei dispõe sobre medidas para o combate eficaz à poluição sonora prejudicial ao meio ambiente, à saúde, à segurança ou ao sossego público. O texto define como poluição sonora os barulhos de qualquer natureza, inclusive os produzidos por animais domésticos, voz humana, som musical, obras, reformas e meios de transporte. (Secovi Rio) 
• Analgésicos e exercícios não se misturam. Medicamentos populares como o anti-inflamatório Ibuprofeno e analgésicos, que podem ser comprados sem receita, podem sobrecarregar os rins durante exercícios prolongados e reduzir a capacidade dos músculos de se recuperar. 

• Jogos Asiáticos expõem o blindado Turcomenistão. País é visto como o espelho da ditadura norte-coreana na Ásia Central. 
• Europa está na mira de 173 terroristas do Estado Islâmico. 
• Erdogan inicia ofensiva diplomacia para resolver crise no Golfo com visita à Arábia Saudita. 
• Chefe da Liga Árabe diz que Israel está brincando com fogo sobre Jerusalém. Após protestos, Israel instala mais câmeras na Esplanada das Mesquitas. Papa pede moderação e diálogo após confrontos.
• Odebrecht não pode continuar no Peru, diz vice-presidente. 
• Coreia do Norte inspira memórias da Guerra Fria no Alasca. Com defesa defasada, Estado dos EUA na mira de Pyongyang espera ação federal. 
• A Assembleia Nacional da Coreia do Sul adotou em 18 de julho uma resolução condenando o teste do míssil norte coreano Hwasong-14 realizado em 4 de julho, dizendo que a continuação das provocações norte-coreanas levará à extinção permanente de seus dirigentes. Respondendo a essa declaração, o jornal norte-coreano sustentou que a Coreia do Sul pagará o mais alto preço por se atrever a desafiar o nosso sistema e medidas de autodefesa, relata a Yonhap. 
• A oposição venezuelana anunciou no último sábado uma greve de dois dias contra o presidente Nicolás Maduro, após violentos distúrbios durante uma marcha em apoio aos magistrados nomeados para a Corte Suprema paralela, um dos quais foi preso; Maduro reprime greve no setor privado e mortes desde abril chegam a 99. Paralisação convocada pela oposição contra Constituinte obteve apoio da cúpula empresarial, das câmaras de comércio, indústria e sindicatos, mas setores controlados pelo governo, como o petrolífero e o serviço público, não participaram. 

Lulinha: do caminho das antas ao apartamento de R$ 6 milhões. Ou: O filho que sai ao pai não degenera. Ou ainda: O sítio das delícias.
Os Lula da Silva têm mesmo um jeito heterodoxo de viver. Chega a ser estranho que o chefão do PT tenha querido, algum dia, como é mesmo?, mudar o mundo… Ora, mudar para quê? A partir de certo momento, vamos admitir, esse mundo só sorriu para ele. E continua a sorrir para a sua família. […]
Os Lula da Silva têm mesmo um jeito heterodoxo de viver. Chega a ser estranho que o chefão do PT tenha querido, algum dia, como é mesmo?, mudar o mundo… Ora, mudar para quê? A partir de certo momento, vamos admitir, esse mundo só sorriu para ele. E continua a sorrir para a sua família. Reportagem de capa da Veja desta semana expõe a proximidade entre o agora ex-presidente da República e o empreiteiro baiano Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, um dos presos da operação Lava Jato. Proximidade que pode fazer com que o escândalo do petrolão ainda exploda no colo do companheiro-chefe. É que Pinheiro começou a fazer algumas anotações… Leiam a reportagem da revista desta semana. Quero aqui abordar um aspecto em particular.
A Veja informa que Fábio Luís da Silva - vulgo Lulinha - mora num apartamento, numa área nobre em São Paulo, avaliado em R$ 6 milhões. É isso mesmo que vocês leram. O apartamento do filho do Primeiro Companheiro é coisa de ricaço. Mas parem de ficar imaginando maldades. O dito-cujo não está em nome do rapaz! Não! Oficialmente, o dono do imóvel é o empresário Jonas Suassuna, que é apenas… sócio de Lulinha.
Esse rapaz, note-se, é, desde sempre, um portento. Lula já o chamou de o seu Ronaldinho, louvando-lhe as habilidades para fazer negócios. Formado em biologia, o rapaz era monitor de Jardim Zoológico até o pai chegar à Presidência. Cansado de ficar informando ao visitante onde se escondiam as antas, ele decidiu ser empresário quando o genitor se tornou o primeiro mandatário. E o fez com uma desenvoltura assombrosa. Só a Telemar (hoje Oi) injetou R$ 15 milhões na empresa do rapaz, a Gamecorp. Nada além de uma aposta comercial?
Assim seria se assim fosse. Empresas de telefonia são concessões públicas, que dependem de decisões de governo. Aliás, é bom lembrar: Lula mudou a lei que proibia a Oi (ex-Telemar) de comprar a Brasil Telecom (que era de Daniel Dantas). A síntese: o pai de Lulinha tomou a iniciativa de alterar uma regra legal e beneficiou a empresa que havia investido no negócio do filho. Isso é apenas uma interpretação minha? Não! Isso é apenas um fato. Adiante.
Os Lula da Silva formam uma dinastia. O filho repete, em certa medida, o caminho do pai - e não é de hoje. Quando Lula era o líder da oposição, também morava, a exemplo de Lulinha, numa casa que estava muito acima de suas posses oficiais. O imóvel lhe era cedido por um advogado milionário chamado Roberto Teixeira, seu compadre. Se vocês entrarem no Google, ficarão espantados com a frequência com que Teixeira aparece ligado a, digamos assim, negócios que passam pelo petismo. Se clicarem aqui, terão acesso a um grupo de textos evidenciando, por exemplo, as suas interferências na venda da Varig.
Agora o sítio
Jonas Suassuna, o sócio de Lulinha e dono oficial do apartamento milionário em que mora o filho do Poderoso Chefão petista, é quem aparece como proprietário de um sítio em Atibaia, no interior de São Paulo, em companhia de Fernando Bittar, que é, ora vejam, o outro sócio de Lulinha. Até aí, bem…
Ocorre que, no PT, e fora dele, incluindo toda a Atibaia, a propriedade é conhecida como o sítio do… Lula!. É lá que ele passa os fins de semana desde que deixou a Presidência. A propriedade foi inteiramente reformada, em tempo recorde, pela empreiteira OAS, a pedido de… Lula! Os pagamentos aos operários eram feitos em dinheiro vivo. O arquiteto que cuidou de tudo se chama Igenes Irigaray Neto, indicado para o empreendimento pelo empresário José Carlos Bumlai, amigão de… Lula! O tal aparece com frequência em histórias mal contadas envolvendo o petismo - inclusive o petrolão.
A OAS, que reformou o sítio que até petistas dizem ser do ex-presidente, também foi chamada para concluir um dos edifícios da Bancoop, a cooperativa ligada ao PT, que era presidida por João Vaccari e que faliu, deixando três mil pessoas na mão. O único prédio concluído é justamente um de alto padrão, onde Lula tem um tríplex, com elevador interno. Quando explodiu o caso Rosemary Noronha, aquela amiga íntima do ex-presidente, a OAS foi mais uma vez chamada para dar uma mãozinha para João Batista, o marido oficial da tal senhora.
Assim se construiu a república petista. Os companheiros têm explicações para essas lambanças? É claro que não! Preferem ficar vomitando impropérios nas redes sociais, acusando supostas conspirações. Definitivamente, o PT superou a fase do Fiat Elba, que foi peça-chave na denúncia contra Collor. Fiat Elba? Ora, Lula, o PT e a tropa toda são profissionais nas artes em que Collor ainda é um amador. (Reinaldo Azevedo) 

Adeus às armas.
Por conta do que disse num artigo anterior, no qual deixei evidenciado que nos últimos 30 anos, a escalada da esquerda no Brasil o transformou em um país nitidamente comunista travestido de socialista, ainda que tenha uma economia capitalista, ponderou um querido e velho amigo que talvez eu fosse o derradeiro cidadão que insistia em falar de comunismo nesta Terra Brasilis, posto que o comunismo puro desapareceu por aqui, e inclusive no mundo inteiro.
Respondi que não era bem assim, até porque essa gente de esquerda, de várias ideologias, nunca diz o que pretende realmente, é sorrateira e dissimulada. A propósito deste procedimento condenável, lembrei o pensamento do poeta francês do século XIX, Charles Baudelaire, acerca do mal, isto é, do satanás: O maior truque do coisa ruim foi convencer-nos de que não existe.
Percebam o quanto o regime vigente no Brasil - tal qual nos mais reconhecidos países totalitários de esquerda - invade, interfere e domina a vida do cidadão.
Pensem, por exemplo, no quanto o homem comum tem que pagar de impostos para sustentar uma máquina pública corrupta, incompetente e um verdadeiro polistiburgo com seus privilegiados dirigentes, para nada ou muito pouco receber em troca a titulo de serviços públicos referentes à saúde, à educação e à segurança, para não citar as demais obrigações do Estado.
Pensem no quanto as famílias cristãs vem sendo violentadas nos seus princípios e valores tradicionais, visando-se que um dia possam ser substituídas pela família dos partidos de esquerda, na qual, antes de qualquer coisa, o amor e o respeito dos pais para com os filhos e destes para com os pais sejam trocados pela odiosa submissão à agremiação política no poder.
É daí que vem: a intervenção covarde e calhorda do Estado na condução da família e na educação da prole (Lei da Palmada); a doentia distorção da chamada educação escolar decorrente da ideologia de gênero, que objetiva destruir o conceito natural de família formada pelo homem e pela mulher, que a Constituição Federal consagrou; a psicótica e histérica promoção do gaysismo viral e da luta entre as raças, que fomentam a divisão e a cizânia a fim de que a desprezível classe política possa governar sem uma oposição que a ameace; o perverso domínio do pobre e do desvalido, encabrestados por uma esperta política assistencialista; a doida tentativa da esquerda de dominar inteiramente os meios de comunicação, e muito mais.
Outro exemplo dessas torpes intervenções é a traiçoeira campanha da esquerda idiota pelo desarmamento da população, o que é inclusive ilegal por assim dizer, porque em recente plebiscito a sociedade disse não ao desarmamento.
A rigor o propósito daqueles cantantes é de ter um povo totalmente desarmado, sem a menor condição de prover a própria defesa e os membros do partido no Governo protegidos e armados até os dentes ou cercados por seguranças armados.
A ideia não é nova, vem desde os tempos de Stalin, na Rússia. Dela se valendo Hitler desarmou totalmente a população alemã e entregou uma Luger P08 - 9 mm (com sete no pente e uma na agulha) - a cada nazista, para que assassinassem os judeus e quem quer que fosse oposição ao regime.
Rindo de orelha a orelha estão as facções criminosas e tranquilos ficam os esquerdopatas de muitas matizes, pois bem sabem que o dano maior recai nas costas do povão, algemado à miséria por suas bolsas esmolas, e que nada os alcança, até porque se sentem protegidos por uma nefanda aliança formada pelos bandidos do CV, do PCC, da FARC, do PT e dos demais partidos de esquerda.
Nem me venham com essas estatísticas oficiais, falsas e enganosas relativas aos nossos altos índices de criminalidade e ao elevado número da população carcerária porque primeiro, em linha de princípio, tais índices decorrem da incompetência do Estado em prestar a necessária segurança mediante uma política pública eficaz e, em segundo lugar, porque quem gosta desse debate estéril é a boiolagem dos direitos humanos para vagabundos, eu não.
Quando olho para esses números sempre me pergunto quanto desses crimes lá apontados foram praticados com armas de fogo legais, registradas e compradas no comércio?
O bandido não precisa de licença de ninguém para andar armado e matar, porém esses esquerdinhas, que pretendem retomar com muito vigor a política de desarmamento, argumentam que não se pode conceder porte de arma ao homem do povo porque, certamente, entendem que a exemplo deles, somos uma sociedade de delinquentes e assassinos.
Não é a posse de arma que induz o cidadão ao crime e sim sua má formação familiar, despreparo e indigência que levam o homem para a bandidagem, e por estas circunstâncias o Estado é o maior culpado.
Reconheço que o assunto exigiria um exame mais profundo que aqui não cabe, contudo pondere-se, antes da esquerda delinquente tomar nossa sociedade de assalto, nos grandes centros e nas cidades do interior o cidadão não era assassinado todo dia, e a maioria das pessoas tinha um pai que possuía uma arma em casa ou a usava na cinta.
Trago essas reflexões, sobretudo para ressaltar a nociva intervenção do Estado na vida do cidadão, fruto de uma ideologia que sempre o povo rejeitou, porque não é de sua natureza e índole. Temos dois caminhos a percorrer: ou defendemos, com unhas e dentes, nossa cidadania, nossos valores e princípios cívicos, ou seja, tudo aquilo que sustenta uma Nação realmente livre ou capitulamos, covardemente, e damos adeus às armas. (José Mauricio de Barcellos, ex Consultor Jurídico da CPRM-MME, advogado) 
O ruído faz pouco bem, o bem faz pouco ruído. (S. Francisco de Sales)

22 de jul de 2017

Segue que vida, para onde...

• Governo mantém em 0,5% a previsão de alta do PIB em 2017. 
• Governo diz que não há previsão de aumentar impostos no momento. Temer afirma, porém, que situação segue monitorada; para economistas, risco de ultrapassar déficit é alto. 
• Aumento de preço da gasolina afeta de ônibus a alimentos. 
• Temer vai acabar pedindo a mudança da meta para impedir colapso. Mudança da meta fiscal é o final certo desse enredo que tem se repetido todos os anos no País. 
• Impasse político reduz receitas do governo em ao menos R$ 6,1 bi. Temer tem dificuldade em aprovar medidas importantes para a economia no Congresso; valor já supera bloqueio orçamentário anunciado na quinta (20). 
• Sérgio Moro comunica Lula sobre bloqueio de bens. Petista tem 15 dias para responder pedido de confisco que pegou R$ 9 milhões, imóveis, R$ 606 mil e carros. 
• Lava Jato de SP quer ouvir executivos da Odebrecht. Nova força-tarefa começa a trabalhar nos pedidos encaminhados por Fachin. 
• Delação de Marcos Valério atinge FHC, Lula e Aécio. Outros políticos também aparecem; acordo ainda precisa ser homologado. 
• Isentado, Jucá poderá voltar ao Planejamento. Senador é isentado das acusações que o tiraram do Planejamento. 
• Geraldo Alckmin rebate Lula: O riquinho não sou eu. Governador ironiza saldo milionário em contas do ex-presidente. 
• Delegada afirma que é natural projetos contra investigações. Ao livrar trio do PMDB, Graziela diz que propostas lamentáveis são prerrogativas de seus cargos; Investigadores afirmam que não há como provar que ex-presidente e senadores Renan, Jucá e Sarney não cometeram crimes de obstrução da Justiça nos grampos feitos por Sérgio Machado. 
• PF recebe R$ 102,3 mi e retomará emissão de passaportes a ser normalizada em cinco semanas. Casa da Moeda vai trabalhar '24 h' para atender 175 mil pedidos atrasados. 
• Fiança faz Eike pôr à venda lanchas e Lamborghini. Empresário tenta se livrar de custos e juntar dinheiro para pagar os R$ 52 milhões cobrados pela Justiça. 
• Luana Don, acusada de integrar PCC, ganhou R$ 3.334 da facção. 

• Após aventar sanções contra Venezuela, bloco racha e faz declaração branda. Mercosul expressa preocupação, mas não expulsa a Venezuela. Mercosul convida Maduro e oposição a dialogar no Brasil. 
• Porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, renuncia e é nova baixa em gabinete de Trump. Saída ocorre após presidente escolher megainvestidor para chefiar comunicação. 
• Restrições de acesso a Jerusalém elevam tensões. Após Israel impor controle de entrada, líder palestino suspende relações. 
• Mudança para mulheres na Arábia Saudita será lenta, diz ativista. Presa em 2011 por dirigir um carro, Manal al-Sharif afirma que o caso da jovem filmada de minissaia ajuda a quebrar o tabu.

Sonhos de Temer.
O presidente acredita que a questão da denúncia se resolverá no início de agosto.
O presidente Michel Temer hoje joga um xadrez político. Mexe seus peões, peões um tanto envergonhados, mais dispostos ao anonimato do que aos holofotes, e tenta proteger seu governo de um xeque-mate. A ideia é seguir vivo até maio ou junho do ano que vem. A partir daí, ele sabe que a visibilidade do governo tenderá a se tornar opaca, a quase desaparecer, o que poderá lhe render a paz.
Ganharão força as negociações em torno de candidaturas às eleições presidenciais, as convenções partidárias, as caras novas que por certo surgirão e as caras velhas que voltarão à cena. Depois, as eleições, o vencedor, a composição ministerial, o novo governo, a volta para casa de quem sonhou em entrar para a História como um presidente reformista. Temer acha que se esse plano der certo - e ele está certo de que dará, porque a partir de 17 de setembro termina o mandato do procurador-geral Rodrigo Janot -, ele terá condições de retomar a reforma da Previdência. Quem sabe, se conseguir aprová-la, passará os últimos seis meses de seu mandato desfrutando o resultado das reformas, aumento do PIB em cerca de 3% e a volta do emprego.
Temer não imagina a possibilidade de a Câmara aceitar a denúncia de Janot, que o acusa de crime de corrupção passiva, com base na gravação de uma conversa que teve com o empresário Joesley Batista. Uma conversa pra lá de esquisita, mas que, segundo ele, foi obtida por motivo torpe e só ocorreu por ingenuidade sua. O presidente acha que a questão da denúncia se resolverá logo no início de agosto, quando a Câmara fará a sessão para decidir se ele deve ou não ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Ele trabalha com a certeza de que o PSDB, que tem quatro ministérios, que é seu parceiro desde o início do governo, que batalhou pelo impeachment de Dilma Rousseff, vai negar-lhe muitos votos. Mesmo assim, mesmo sabendo da infidelidade futura dos tucanos, Temer não vai retaliá-los. 
Seu raciocínio é político, assim como o jogo que pretende fazer. Nas suas contas, os votos dos tucanos favoráveis à abertura da investigação, que se somarão aos dos partidos de oposição, são insuficientes para tirá-lo da Presidência. Então, para que mexer com eles? Num futuro próximo, quando a onda provocada pela denúncia de Janot passar, a Câmara não terá mais como postergar a apreciação da reforma da Previdência. Nesse momento, a tucanada se unirá de novo ao governo, porque a reforma interessa a eles.
Desde que assumiu o governo, Temer decidiu não fechar as portas para ninguém, por mais ferrenha que seja a oposição sofrida. Aconselhado a retaliar as Organizações Globo, que apostaram na queda dele, rejeitou o conselho. Disse acreditar que um dia os dirigentes do conglomerado de comunicação vão buscar a recomposição. A mesma atitude foi tomada com relação a partidos, como o PSDB e o PSB. Mesmo rachados, eles podem render alguns votos a seu favor. Se retaliados, podem retaliar também. E um voto é sempre um voto.
Para Temer, as dissidências vão se resolver por si mesmas. Como acredita que vai se livrar das acusações, poderá, a partir de agosto, mostrar para todos que o governo continua de pé. Por isso mesmo, prevê que o parlamentar que hoje se distanciou voltará a se aproximar dele naturalmente. Porque desgastado ou não, continuará a se sentar na cadeira presidencial, com a mesma caneta na mão, com a mesma disposição para o diálogo. Como conhece muito bem o Congresso e, principalmente, a Câmara, que presidiu por três vezes, além de ser líder do PMDB por anos, Temer busca raciocinar como se fosse parlamentar: se o governo segue seu rumo, melhor estar bem com ele do que estar mal. (João Domingos) 

Lula e bandidos à solta, tudo a ver.
Se você ainda não ouviu falar em desencarceramento, prepare seus olhos, ouvidos, nariz e garganta para o que vem por aí.
Nada disso é recente, tudo está entre as causas da nossa insegurança e precisa de Lula em liberdade para que o processo se complete. Lula atrás das grades sinaliza o capítulo final de uma era na política brasileira, encerrando muitas carreiras, ideias e militâncias impulsionadas pela energia que dele emanava.
Desencarcerar? Soltar presos? Polícia prende, justiça solta? Agenda pelo desencarceramento? Que diabos é isso? Os promotores de Justiça do MP/RS, Diego Pessi e Leonardo Giardin de Souza, abriram a janela sobre o tema. Ambos são autores do livro Bandidolatria e Democídio, ensaio sobre garantismo penal e criminalidade no Brasil. Em recente artigo, chamam a atenção para a existência de uma tal Rede Justiça Criminal, ente fantasmagórico que diz reunir oito ONGs preocupadas com o sistema criminal brasileiro (prisaonaoejustica.org). Dentre as reivindicações da abnegada militância, destaca-se a inarredável proibição de prender, pois cadeias superlotadas geram mais violência, sendo necessário apostar em mecanismos que dificultem a prisão ou induzam a soltura de criminosos. Tudo que você quer, não é mesmo, leitor?
Em novembro de 2013, essa rede criou uma Agenda pelo Desencarceramento. Seus autores consideram chegada a hora de reverter a histórica violência do país contra as pessoas mais pobres e, com seriedade, fortalecer a construção de um caminho voltado ao horizonte de uma sociedade sem opressões e sem cárceres. Para isso, pontuam as seguintes metas:
1. suspensão de qualquer investimento em construção de novas unidades prisionais;
2. restrição máxima das prisões cautelares, redução de penas e descriminalização de condutas, em especial aquelas relacionadas à política de drogas;
3. ampliação das garantias da execução penal e abertura do cárcere para a sociedade;
4. vedação absoluta da privatização do sistema prisional - Combate à tortura, desmilitarização das polícias e da gestão pública.
Enquanto os brasileiros convivem com níveis de violência e insegurança superiores aos de regiões em guerra, influentes organizações assombram a sociedade com tais propostas. Por quê? Marxismo em grau máximo.
Para ideologias coletivistas, o indivíduo é um anacoluto, uma inconsistência na gramática marxista, onde somente o coletivo tem importância. O indivíduo é descartável por ser portador de interesses conflitantes com os do coletivo onde deveria estar inserido. Por isso, a Sibéria, os gulags, as clínicas psiquiátricas. Por isso, para a turma do desencarceramento, violência não é praticada por quem está nas ruas roubando, matando, estuprando, apavorando a sociedade; violenta é a sociedade que encarcera aqueles a quem, antes, excluiu. O criminoso seria produto geneticamente inevitável dessa sociedade que só será curada pelo mergulho no socialismo (é assim que eles chamam o comunismo). De modo simétrico, está tudo na Teologia da Libertação, absolvendo, o pecado individual em nome de um impessoal e coletivo pecado social que só se redime com os oprimidos, conscientizados, lutando por sua libertação.
Cansei de escrever e dizer que era exatamente isso que estava por trás da leniência da legislação, da falta de investimentos no sistema prisional, da inoperância do Fundo Penitenciário Nacional; que era exatamente isso que promovia a superlotação e a gritaria dos militantes de direitos humanos ante o desejado produto de sua estratégia: solta todo mundo que assim não dá.
Agora, tanto o método quanto a finalidade estão muito claros, com agenda redigida por seus articuladores, que, obviamente, permanecem à sombra de suas ONGs. Durante 13 anos de governo petista, essa estratégia foi determinante da crise que nos levou à condição de 11° país mais inseguro do mundo, com o maior número de homicídios e 19 das 50 cidades mais violentas do planeta. Por enquanto. O fim da era Lula é o fim desse macabro programa. (Percival Puggina, arquiteto, empresário e escritor) 
As grandes almas são como as nuvens: recolhem para doar. (Kalidasa)

21 de jul de 2017

O Rio acabou...

• Pezão e os ex-governadores não nos dá saudades ou alegrias, apenas tristezas por incompetências. O Rio passa que nem bife na chapa, apenas no ponto (fora da curva). Surgiu não sei como, foi votado (por quem?), viveu à sombra do Cabral e se aprendeu (copia?) leva cariocas servidores a cruel destino e desrespeito à coisa pública. Desfaçatez e inépcia segundo um deputado da Alerj, que adiantou ele continuasse prefeitinho nas origens. Nem na segurança teve pulso ou coragem. O homem que sorri de pires na mão, vende a Cedae e depois em setembro o que sobrará para venda? O Rio não merece homens e mulheres desse porte. Sabe de nada! Uma vergonha! (AA) 
• Rio tem 90º policial assassinado somente no ano de 2017. Assaltos, sequestros, tiros e mortes... o que mais (des)governador? 
• A que veio? Criado pelo prefeito Marcelo Crivella, o Conselho de Turismo do Rio de Janeiro, está esfarelando, com seus integrantes pulando fora. Há poucas semanas, José Bonifácio (Boni) de Oliviera Sobrinho resolveu se desligar, o que Roberta Medina acaba de fazer. Permanecem lá com vontade de sair Ricardo Amaral e Paulo Protásio; Mais uma: O prefeito Marcelo Crivella causou espanto num evento realizado pelo Conselho da Câmara de Comércio e Indústrias dos Países da União Europeia na última quinta (20), no Rio. Segundo um interlocutor, o prefeito apresentou visões ultrapassadas, românticas e descoladas da realidade para investidores estrangeiros. 
• A partir de sábado. Petrobras eleva preço da gasolina em 1,4% e do diesel em 0,2%. Com aumento do imposto sobre combustíveis, previsão de inflação sobe.
• Após liberação de verbas pelo Governo, emissão de passaportes deve voltar a partir de hoje. 
• Bartolomeu Guimarães. Ministro da Fazenda, Meirelles, cochila enquanto Temer discursa na Cúpula do Mercosul. Em alguns momentos, ele chegava a pender a cabeça e bocejava. 
• O povo cansado de sindicatos! Após a sanção das mudanças na legislação trabalhista e a extinção da contribuição sindical obrigatória, Michel Temer se reuniu com sindicalistas. O presidente indicou que apoia a adoção de uma nova 'contribuição por negociação coletiva' a ser paga pelos empregados. Na proposta, o financiamento não será imposto, mas deverá ser pago por todos que se beneficiem de acordos coletivos. O novo modelo será debatido pelas centrais sindicais. O governo também acenou com uma Medida Provisória para ajustar pontos da reforma, como contrato intermitente, trabalho insalubre para grávidas e lactantes, presença do sindicato na homologação e salvaguardas ao trabalho terceirizado e autônomo. 
• Marcos Valério diz que Andrade Gutierrez pagou sua defesa no mensalão.
• Palácio do Planalto emprega 10 vezes mais que a Casa Branca. Temer dispõe de 3.800 assessores, enquanto Trump tem só 377. 
• Defesa de Lula impetra mandado de segurança contra bloqueio de bens; A descoberta de R$9,6 milhões em contas correntes e investimentos do ex-presidente Lula deixou intrigada a força-tarefa da Lava Jato, que investiga o mistério de como o ex-metalúrgico, condenado por corrupção, acumulou tanto dinheiro. Ao ver bloqueados pela Justiça recursos e bens, Lula se queixou de que a subsistência de sua família estaria prejudicada. Pelo visto, para ele, dinheiro nunca foi problema. A informação é  do Diário do Poder; Interrogado na polícia, Lula disse cobrar US$200 mil por palestra, mas ninguém acreditou. Tampouco ele apresentou comprovantes; Desde 2015 Lula não faz palestras, para as quais disse cobrar o dobro de Bill Clinton. O ex-presidente dos EUA continua a fazê-las; Emílio Odebrecht revelou que pagava honorários a Lula, além de jatinhos, hotéis de luxo etc, para criar imagem adicional na África. (CHumberto) 
• Presidente da Anatel reforça necessidade de revisar Lei Geral de Telecomunicações. 
• O jornalista William Waack foi internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, após passar por exames de rotina e constatar que precisará passar por um cateterismo, segundo a assessoria de imprensa da Globo. A cirurgia foi marcada para esta sexta-feira. 
• Sassaricando: Membros do Psol não gostaram da declaração de Lula de que o partido tem frescura com o PT. Membros do PSOL, entre eles o deputado federal Chico Alencar (RJ), publicaram uma lista em que alfinetam os escândalos do PT. 
• Tornozeleiras eletrônicas rastreiam mais de 24 mil presos. Projeto pode obrigar preso a pagar por tornozeleira. 

• Presidente da França se reúne com representante da UE para discutir Brexit. 
• No caos da Venezuela, greve geral termina com 4 mortos e 100 detidos em novos protestos contra Maduro. 
• Lá na Argentina, Temer disse que a população entenderá aumento de impostos. 
• O bigode de Salvador Dalí continua intacto, passados 28 anos da morte do artista espanhol, cujos restos mortais foram exumados por ordem de um tribunal para um exame de paternidade. 
• Terremoto deixa mortos na Turquia e na Grécia. 
• Manobra de piloto evita colisão de aviões. Por erro da tripulação, aeronaves ficaram exatamente na mesma altitude e em sentidos opostos. Um piloto italiano da Air Seychelles foi considerado um herói pela companhia onde trabalha por ter evitado uma colisão entre dois aviões em pleno ar - o que provocaria a morte de 892 pessoas. Conforme o Daily Mail, o capitão Roberto Vallicelli estava sobrevoando as Ilhas Maurício em um Airbus 330 quando precisou fazer uma curva brusca para desviar de um Airbus A308 (o maior avião de passageiros do mundo), da Emirates, que vinha em direção contrária. 
• Morte do vocalista do Linkin Park, Chester Bennington (41 anos) foi a voz de uma geração que redescobriu o rock. 
• A resistência online no Vietnã. Ativistas e blogueiros encontram apoio nas redes sociais para continuar lutando contra o autoritarismo. 
• Seis meses de Trump no poder. Primeiro semestre de republicano na Casa Branca foi marcado por escândalos e crises - e tentativas de cumprir promessas de campanha. 

A Justiça, descontrolada, desorientada, desacertada.
Jamais em tempo algum, houve um judiciário tão em evidencia, que não sai das manchetes, tão abertamente criticado, das primeiras instancias até o Supremo. Ou invertendo a ordem natural das coisas, o disparate e a injustiça, começando e terminando no Supremo mesmo.
Comentarei as questões mais relevantes ou descabida, sem prioridade no tempo, levando em consideração a contradição. Da segunda decisão ou do segundo ou terceiro surpreendente recurso.
1 - Há 3 meses, Eduardo Cunha entrou com 2 HC. Um no STJ outro no STF. Escrevi: perderá os dois, não têm a menor base. No primeiro queria a anulação da sua cassação pela Câmara. Unanimidade contra. No segundo, pedia a libertação. Unanimidade do ministro Fachin, relator da Lava-Jato que já recusou outros pedidos iguais.
2 - O juiz Sergio Moro condenou o executivo da empreiteira Mendes JR, a 19 anos de prisão. Ele recorreu para a instância superior, Desembargadoria Regional Federal de Porto Alegre. Lá é tanto trabalho que vem de Curitiba, que 3 desembargadores julgam exclusivamente.
Anteontem, os 19 anos de Moro, foram aumentados para 47. (O resultado só não foi anunciado oficialmente, porque um dos desembargadores pediu vista. Mesmo que vote contra os outros 2, os 47 anos serão mantidos. A não ser que os dois que já votaram, mudem de convicção).
Se o resultado for confirmado, 19 anos vai parecer magnânimo, 47, exagero.
3 - Eike Batista, é o maior corrupto e corruptor do Brasil. Sozinho, deu mais prejuízos ao país e aos investidores do que todas as empreiteiras juntas. Com o dinheiro da roubalheira, propagava e apregoava: Sou o homem mais rico do Brasil, não demora, serei o mais rico do mundo.
Logo, logo se viu que tudo era falso e farsante. Mas ganhou bilhões, a CVM não percebeu nada. Preso, foi quase imediatamente solto pelo generoso Gilmar Mendes, que mantém a palavra, ele vai continuar em liberdade.
4 - Marcos Valerio, o maior condenado do Mensalão. Pegou 37 anos, foi o coordenador de toda a operação. Preso em 2007, quando se falou que faria delação, Brasília e Belo Horizonte ficaram apavorados, mas recusou a proposta. Agora, preso há 10 anos, dizem, ninguém no país, nem mesmo as empreiteiras do Petrolão, pode denunciar mais gente poderosa da Republica.
Agora fez um acordo de delação com a Polícia Federal. Estava se preparando para denunciar a alta cúpula tucana (tudo começou com o PSDB no governo de Minas), quando começou a circular noticia estranha. Esse acordo teria que ser submetido ao Supremo, que recusaria. O rumor é verdadeiro, mas o Supremo está na obrigação de desmenti-lo e autorizar o acordo. (Helio Fernandes) 

O que é isso, ministro? Mais imposto?
Há apenas 3 meses, cobramos publicamente o ministro da Fazenda sobre suas declarações de que pretendia aumentar impostos. Fomos ouvidos.
Nesta semana, ficamos indignados com o anúncio da alta de impostos sobre os combustíveis.
Ministro, aumentar imposto não vai resolver a crise; pelo contrário, irá agravá-la bem no momento em que a atividade econômica já dá sinais de retomada, com impactos positivos na arrecadação em junho.
Aumento de imposto recai sobre a sociedade, que já está sufocada, com 14 milhões de desempregados, falta de crédito e sem condições gerais de consumo.
Todos sabem que o caminho correto é cortar gastos, aumentar a eficiência e reduzir o desperdício.
De janeiro a maio deste ano, em comparação com o mesmo período de 2016, o governo cortou R$ 11 bilhões de investimento. Também cortou R$ 12 bilhões de outras despesas. Porém, este esforço foi por água abaixo devido ao aumento de R$ 12 bilhões em gastos com pessoal (11,8% acima da inflação) e ao aumento de R$ 15 bilhões em gastos com a Previdência.
A FIESP mantém sua coerência. Desde 2015 empreendemos forte campanha contra o aumento de impostos, que obteve amplo respaldo popular, com 1,2 milhão de assinaturas. Conseguimos evitar a recriação da CPMF e outras tentativas de aumento de impostos.
Mantemos nossas bandeiras e convicções, independentemente de governos. Somos contra o aumento de impostos porque acreditamos que isso é prejudicial para o conjunto da sociedade. Não cansaremos de repetir: Chega de Pagar o Pato. Diga não ao aumento de impostos! Ontem, hoje e sempre. (Paulo Skaf, presidente da Fiesp e Ciesp) 

A culpa e o medo.
Instalar misturador de voz no gabinete de Temer é reconhecer que quem tem culpa tem medo.
Nunca mais ninguém gravará o que Temer falar na intimidade.
O Palácio do Planalto instalou no gabinete do presidente Michel Temer um aparelho conhecido como misturador de voz, que embaralha o conteúdo de uma conversa gravada por celular ou outro tipo de aparelho eletrônico. Só há uma explicação para isso: impedir que xeretas possam delatar as conversas pouco republicanas que acontecem nos gabinetes. É um atentado contra a transparência para que tudo continue sendo negociado à boca pequena ou, como diz aquele velho sucesso de meus amigos e conterrâneos Antônio Barros e Cecéu, cantado por Ney Magrosso, por debaixo dos panos. E a República da vergonha continua a todo vapor. Esta é mais uma notícia lamentável a destacar no meio de tantas outras. (José Nêumanne) 
Se quiser aprender a amar, comece pelos animais; eles são mais sensíveis. (George Gurdjieff)

20 de jul de 2017

Rio, um terror. País, que sofrimento.

• Luiz Fernando Pezão deixa spa para participar de reunião com Temer. Governo do Rio tenta chegar a um consenso em Brasília sobre o plano de recuperação do Estado. 
• Quem poderá nos salvar no Rio? Força Nacional pode perder 66% do efetivo por falta de verbas. 
• Apesar da crise política, de sua baixa popularidade e a melhora na arrecadação, o governo deve anunciar nesta quinta-feira um aumento de impostos para cobrir um rombo de R$ 10 bilhões nas contas públicas para além da meta negativa em R$ 139 bilhões para fechar as contas de 2017. A Receita arrecadou R$ 648 bilhões entre janeiro e junho, o melhor resultado desde o primeiro semestre de 2015, mas pode não ser suficiente para garantir o rombo de R$ 139 bilhões previsto no orçamento deste ano. 
• Planalto já decidiu aumentar o PIS/Cofins, o que pode elevar em R$ 0,10 o preço do litro da gasolina. A equipe econômica comandada por Henrique Meirelles ainda avalia elevar outro imposto. Três alternativas estão em análise: IOF sobre operações de câmbio à vista, IOF sobre operações de crédito ou Cide-combustível. A opção não depende de aval do Congresso. 
• O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, indicou que não vai se opor a uma possível alta da carga tributária. Consultei vários economistas e ninguém me deu outra solução, disse. O eventual sucessor caso Michel Temer saia tem defendido também a agenda de reformas propostas pela atual gestão. 
• Se, na economia, Temer e Maia estão alinhados, na política ainda há ruídos. Apesar de negar crise com o presidente na disputa por parlamentares dissidentes do PSB, o deputado afirmou que tem muita gente no entorno do presidente falando demais
• Em meio ao clima de desconfiança em Brasília, sala do Planalto ganhou um misturador de voz. O aparelho, instalado pelo Gabinete de Segurança Institucional, distorce gravações feitas com o presidente sem autorização. 
• Mais um diretor do BNDES entrega o cargo desde o início da gestão de Rabello. Ricardo Baldin é o terceiro executivo a deixar o banco por divergências com o novo presidente. 
• Em depoimento ao juiz Sérgio Moro, o lobista Jorge Luz admitiu ter intermediado propinas aos senadores Renan Calheiros (AL) e Jader Barbalho (PA) e ao deputado Aníbal Gomes (CE), todos do PMDB. Luz disse que usou uma conta na Suíça para realizar pagamentos ilícitos aos parlamentares. Bruno Luz, filho do lobista, também foi preso. Os dois, segundo denúncia da Lava Jato, representaram interesses de políticos em contratos superfaturados para compra de navios-sonda pela Petrobrás. 
• Moro determina bloqueio de R$ 606 mil e bens de Lula. Dois carros e três apartamentos foram sequestrados pela Justiça; Bloqueio ilegal afeta subsistência de Lula, dizem advogados. 
• Novo ataque ao Tesouro. Se os parlamentares aprovarem o projeto do novo Refis, votarão para conceder a si mesmos um benefício tão indecoroso quanto prejudicial à recuperação das contas públicas. Meirelles e Maia traçam estratégia para barrar mudanças no Refis. Os dois também conversaram sobre a MP que reonera a folha de pagamento para 50 setores. 
• Juiz desbloqueia R$ 800 milhões de Joesley e fecha ação sobre compra de dólares. JBS entregará 20 volumes com detalhes de delação. Documentos vão se juntar a outros 44 termos entregues no início do acordo.
• Com novo avião, governo reduzirá uso do Aerolula. Jornadas com ao menos 2 escalas serão em Boeing 767 alugado por R$ 71 mi. 
• Justiça Federal determina que empresário de ônibus do Rio continue preso. Presidente da Fetranspor, Lélis Teixeira é acusado de integrar esquema de pagamento de propinas a conselheiros do TCE e ao ex-governador Cabral. 
• Combate: Janot rebate Dodge: Orçamento da Lava Jato está garantidíssimo.
• A delação de Valério: ilícitos que envolvem a República, diz juiz.
• Conselho de Medicina vê falhas em metade dos postos de saúde. Em resposta às críticas do ministro da Saúde - que disse que os médicos deveriam parar de fingir que trabalham -, entidade divulga levantamento e promete ir à Justiça contra as más condições de atendimento do SUS. 
• Passaportes devem voltar a ser emitidos nesta semana. Lei que libera crédito suplementar de R$ 102,3 milhões para a retomada da emissão dos documentos de viagem foi publicada nesta quinta-feira no DOU. 
• Lobista do PMDB confessa a Moro propina de R$ 11,5 mi para Renan, Jader e Aníbal. Jorge Luz relatou ter usado a conta Headliner, em um banco na Suíça, para realizar os pagamentos ilícitos. Segundo Jorge Luz, dinheiro teria vindo de contratos de navios-sonda da Petrobras; senadores negam. 
• Qual negociação está mais adiantada, de Funaro ou de Palocci. Cardápio de maracutaias do doleiro vem interessando muito os investigadores. Os investigadores andam cada vez mais entusiasmados com o arsenal apresentado por Lúcio Bolonha Funaro à PGR. As conversas com o doleiro estão mais adiantadas até do que as de Antonio Palocci, cujas negociações começaram antes, com o Ministério Público Federal em Curitiba. E Eduardo Cunha? Este precisará entregar muito mais do que fez até agora para conseguir um acordo. (Gabriel Mascarenhas) 
• Ilha da família Lula é descoberta, R$ 4 milhões de reais. Será?
• Amistoso de 2010 entra no radar da Procuradoria. Teixeira pode ter usado sistema financeiro francês para desviar recursos do jogo entre Brasil e Argentina. 
• Ninho do urubu vira Lixão. Torcida pede saída de Zé Ricardo após empate do Fla.
• Nos EUA, ministro da Justiça defende Lava Jato e diz que operação é imparável. Torquato Jardim está em visita aos Estados Unidos, participando de diferentes eventos oficiais. Ele falou sobre a Lava Jato, armas roubadas e acordos entre países membros da OEA para melhor segurança de fronteiras. 
• Pioneiro na defesa dos direitos dos gays, Alexandre Ribondi critica a caretice dos movimentos LGBT. 

• A Suprema Corte dos Estados Unidos deu uma vitória parcial ao presidente Donald Trump em veto a imigrantes. A Corte permitiu restrições ao programa de refugiados, mas manteve avós de cidadãos americanos oriundos de seis países muçulmanos como parentes próximos, excluindo-os do decreto do republicano. A medida impede a entrada de cidadãos de Irã, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iêmen por 90 dias e a sentença do Supremo americano é temporária. 
• Arábia Saudita liberta jovem presa por usar minissaia em público.
• Trump molda Presidência dos EUA à sua rede social. Em 6 meses de governo, são mais de 820 tuítes que atacam mídia e desafetos. 
• Senador republicano John McCain tem um tumor no cérebro. 
• Legal, mas fraca. Essa foi a avaliação de alguns uruguaios que enfrentaram filas no frio para comprar maconha nas farmácias. A droga produzida por empresas escolhidas em licitação tem um nível de THC inferior ao da erva vendida ilegalmente. Maconha de Montevidéu é esgotada logo no primeiro dia de vendas autorizadas. Em uma das farmácias registradas no Instituto de Regulamento e Controle de Cannabis do Uruguai, o estoque da droga acabou em apenas algumas horas. 
• Maduro sob pressão. Eventuais sanções dos Estados Unidos e da União Europeia podem piorar cenário de turbulência na Venezuela.
• Cúpula do Mercosul mira crise na Venezuela. Países devem debater medidas mais duras contra regime venezuelano. 
• Oposição a Maduro propõe plano de governo. Programa prevê canal humanitário, expurgo policial e reforma econômico. 

Arrecadação melhora em junho, mas vem aí alta de impostos.
Quem acompanhou, nesta quarta-feira, a divulgação dos números mais recentes da arrecadação de impostos pode ter tido a impressão de que nesse campo, finalmente, as coisas começam a caminhar bem. Pura ilusão. O governo está prestes a reconhecer oficialmente que as metas de receitas para o ano não estão se mostrando factíveis e, para impedir um colapso dos gastos, será necessário recorrer a um indesejável aumento de impostos.
Vejamos as diferenças: A arrecadação de impostos e contribuições federais atingiu R$ 104 bilhões em junho e, descontando a inflação, obteve um aumento de 3% sobre o mesmo mês de 2016. De janeiro a junho, pelo mesmo critério, a alta foi bem mais modesta (0,77%), mas garantiu o melhor desempenho, para o semestre, desde 2015.
O funcionário da Receita Federal encarregado do anúncio tratou de comemorar o resultado, atribuindo-o à retomada da atividade econômica - e citou inclusive o reforço das receitas previdenciárias, como reflexo do alívio no mercado de trabalho.
No mesmo dia em que esses indicadores vieram a público, contudo, nos bastidores o governo discute medidas de urgência para tapar buracos do orçamento. Para equilibrar as contas? Não. Para garantir que o rombo fiscal não ultrapasse muito os R$ 139 bilhões prometidos no início do ano. Entre especialistas e, no mercado, as expectativas já estão bem acima desse patamar. E a avaliação geral é que, no meio da crise política que sacode o governo Temer, melhor seria até descumprir a meta do que revê-la oficialmente - o mesmo raciocínio que, no meio do semestre, levou o governo a decretar o bloqueio de gastos em vez de mudar a meta.
Mais especificamente, o que deverá ser anunciado é um aumento de tributos sobre combustíveis - a preferência agora recairia sobre PIS e Cofins, que ao contrário da Cide, não dependeriam de um aval do Congresso e poderiam ser elevados imediatamente.
Aumento de impostos, como se sabe, é uma conversa que não agrada a nenhum tipo de contribuinte, sejam pessoas físicas ou empresários. Mas novos cortes de gastos, num momento em que cresce o poder de barganha do Congresso e a máquina pública começa a emperrar por falta de dinheiro - nesse sentido, a crise na emissão de passaportes é exemplar -, poderiam complicar ainda mais a vida de Temer. Que, por enquanto, ganhou apenas o primeiro round na luta pela sobrevivência. (Cida Damasco) 

Quem vai pagar a conta das eleições se ninguém quer pagar por elas?
Segundo pesquisa do DataPoder360, 78% dos eleitores consultados não querem financiamento público de campanha política e 75% não querem fazer doações. A pesquisa, feita em 203 municípios entre os dias 9 e 10 de julho, revela, ainda que de forma parcial, um sentimento bastante forte na população hoje. Com uma grave crise fiscal e um serviço público de péssima qualidade, o contribuinte-eleitor não quer mais financiar campanhas com dinheiro público.
O desinteresse e a desconfiança do eleitor em relação à política e aos políticos fazem com que a cultura de doações espontâneas seja rejeitada. O resultado nos leva a uma reflexão: quem pagará, então, a conta das campanhas eleitorais? A resposta é complexa, mas o principal pagador será, sem dúvida, o contribuinte. Pelo simples fato de que, já na campanha municipal de 2016, os grandes financiadores foram os partidos, por meio de seus milionários fundos partidários, formados por verbas públicas.
Essa realidade vai continuar. De um lado, o retorno do financiamento privado de campanha parece improvável e moralmente rejeitável. Não queremos mais superdoadores como a Odebrecht e a JBS. O resultado foi trágico para a democracia. Também não queremos que as campanhas sejam financiadas por megafundos partidários que fariam os políticos virarem as costas para o eleitor e transformarem a campanha em uma “corrida do bilhão” com dinheiro público.
O país não está preparado para financiar campanhas, visto que não temos mecanismos para fiscalizá-las. As barbaridades cometidas na última campanha da ex-presidente Dilma Rousseff revelam a inexistência de controles adequados nesse campo. A situação que se apresenta é, portanto, paradoxal. Como resolvê-la se não há mais tempo para mudar as regras às vésperas de ano eleitoral? O prazo se encerra em menos de dois meses.
Devemos manter o uso de fundos partidários, desde que não sejam inflados para as campanhas de 2018. Os partidos devem ser, em momento de crise fiscal, os primeiros a dar o exemplo. Devem dedicar seus esforços para captar recursos do eleitor por meio de campanhas que os transformem em organismos vivos. O eleitor deve ser estimulado a participar, debater e propor. Os partidos devem ser os caminhos para essa participação.
Evidentemente, e considerando a qualidade dos partidos e dos políticos e o desinteresse do eleitor, nada de relevante deve acontecer sem a participação da sociedade civil organizada. Assim, o caminho será por aí, tendo em vista impedir que haja abuso de poder econômico entre os partidos por meio de fundos partidários inflados.
Uma campanha paupérrima interessa mais à cidadania do que uma campanha bilionária controlada por partidos sem a devida fiscalização das autoridades. Um fundo partidário multibilionário servirá para encastelar, ainda mais, a política atual e impedir a mais do que necessária renovação da política.
Desde já, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Polícia Federal deveriam criar um grupo de trabalho com a finalidade de evitar os desvios ocorridos em 2014. Medidas destinadas a inflar o Fundo Partidário devem ser barradas, e o STF, ficar atento. Mas, sobretudo, quem deve monitorar cada vez mais a política bem de perto é a sociedade civil, cuja falta de engajamento tem custado muito à cidadania. No final das contas, quem paga a conta é ela, em todos os sentidos - ético, econômico, social. (Murillo de Aragão)
Todos os dias deveríamos ler um bom poema, ouvir uma linda canção, contemplar um belo quadro e dizer algumas palavras bonitas. (Johann W. Von Goethe, 1749/1832)

19 de jul de 2017

Finanças do povo, apenas démarches...

• Empréstimos do BNDES recuam 17% no primeiro semestre. O BNDES e a nova taxa de juros de longo prazo. Crédito do BNDES à indústria retoma ao patamar da década de 90. Em meio à crise, desembolsos do banco tiveram uma queda de 17% na comparação anual. 
• Risco de calote do Fies vai entrar no Orçamento. Mudança resultou em 2016 em gasto adicional de R$ 7 bi; este ano, até maio, está em R$ 1,4 bi. 
• CUT boicota reunião com Temer e defende fim de imposto sindical. O presidente Michel Temer deve se reunir nesta semana com quatro centrais sindicais para discutir um mecanismo de financiamento alternativo à contribuição sindical, que acaba em novembro. A CUT, maior central sindical do país, não participará desse encontro. 
• Para se favorecer. Relator do Refis seria presidente de empresa que deve R$ 51 milhões à União; O próprio deputado relator dessa nova e generosa proposta deve R$ 51 milhões à União. Em seu parecer, Newton Cardoso Jr. (PMDB-MG) estendeu os descontos para quem deve até R$ 150 milhões - antes o limite era de R$ 15 milhões. Ele também reduziu o valor da entrada de 7,5% para 2,5%; Cardoso Jr. não quis conceder entrevista, mas disse via assessoria que todas as dívidas ligadas a ele estão sendo questionadas na Justiça. Não sou devedor. Minha atividade parlamentar não se confunde com a empresarial, disse. Ele alega que a proposta vai permitir a regularização de milhares de pessoas físicas e jurídicas num momento de grave crise econômica. Estamos prestando um grande serviço à Nação.
• Falsa reforma. Quando se observa o que está sendo feito com a urgente e imprescindível reforma política, constata-se, infelizmente, que há parlamentares indiferentes ao destino do País. 
• Brasileiros apoiam redução do Senado e Câmara. Cresce o apoio à PEC que diminui nº de deputados e senadores. Cerca de 1,4 milhão de pessoas já opinam favoravelmente à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 106/2015 que reduz o número de membros da Câmara dos Deputados de 513 para 386, e do Senado Federal de 3 para 2 por unidade da Federação (de 81 para 54 senadores). Segundo os números do E-Cidadania, no portal do Senado, apenas 8,2 mil pessoas (0,005% do total) são contra a PEC. Em 2003, Câmara e Senado empregavam 8.648 pessoas. O número de parlamentares não se alterou, mas dobrou o de servidores: 16.381; O custo anual da folha da Câmara, em 2016, foi de R$4,3 bilhões, dos quais pouco mais da metade (R$2,7 bi) se referem a servidores ativos; Funcionários do Senado custam ao contribuinte R$3,3 bilhões por ano. São R$1,6 bilhão para da ativa e R$1,7 bilhão para os inativos. (Claudio Humberto) 
• Petrobrás ignorou alerta de fraude em compra, diz CVM. Para a área técnica do órgão houve quebra do dever de diligência dos administradores em 2009. 
• Em meio à crise fiscal do País, parlamentares têm negociado a aprovação de um novo Refis, com perdão de até 99% das dívidas tributárias e previdenciárias. Mas os políticos estão longe de serem isentos para legislar sobre o assunto. Um levantamento feito pelo Estadão/Broadcast com base em dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional revela que deputados e senadores devem R$ 532,9 milhões à União. A quantia inclui dívidas inscritas nos CPFs dos parlamentares, débitos nos quais são corresponsáveis ou fiadores e endividamento de empresas de que são sócios ou diretores. 
• Quando o governo enviou a proposta de Refis ao Congresso, em janeiro, esperava arrecadar R$ 13,3 bilhões ainda este ano com o pagamento dos débitos. Mas os parlamentares alteraram a medida, ampliando o perdão e derrubando a expectativa de arrecadação para R$ 420 milhões. 
• O principal editorial do Estadão desta quarta-feira critica os parlamentares preocupados em legislar em proveito próprio ou de poderosos padrinhos. O assunto não é o Refis, mas propostas para a reforma política - como a emenda Lula e a ampliação do fundo partidário - que demonstram o descaso dos políticos com a opinião pública. 
• Receita com segunda etapa de repatriação decepciona o governo. A frustração com o programa vai complicar ainda mais a difícil tarefa de cumprir a meta neste ano. 
• Governo estuda crédito de até R$ 3 bi para quem recebe Bolsa Família. Segundo o ministro, programa será voltado para a inclusão de famílias no mercado de trabalho. 
• Tiro atravessa janela e atinge sala de executivo na sede da Petrobras, no Rio. Somente bunker´s no Rio. 
• 6 meses depois, acidente que matou Teori ainda é investigado e não tem prazo para acabar. 
• Temer nega a Maia que tenha vetado ingresso de dissidentes no DEM. 
• Michel Temer tem se envolvido pessoalmente na articulação para barrar denúncia por corrupção passiva e, nesta terça-feira, tomou café da manhã com quatro deputados do PSB. A intenção é evitar que eles migrem para o DEM, o que fortaleceria o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, seu eventual sucessor em caso de afastamento. O presidente do PSB, Carlos Siqueira, criticou o assédio de Temer: Salvar a pele talvez seja o objetivo maior dele (Temer), e não resolver os problemas do País. O líder do governo no Senado e presidente nacional do PMDB, Romero Jucá, negou que o partido esteja tentando barrar filiações ao DEM. Desminto a tentativa de intriga, tuitou. Mas o mal-estar, como conta o colunista Marcelo de Moraes, já estava criado. 
• Raquel Dodge quer saber por que Janot reduziu orçamento da Lava Jato. Futura procuradora-geral interpelou o atual por escrito. 
• Depois de ter sua proposta de delação rejeitada pelo Ministério Público de Minas Gerais, o operador do mensalão Marcos Valério Fernandes fechou um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal. Por citar políticos com foro privilegiado, como o senador Aécio Neves (PSDB), o acordo aguarda a homologação do Supremo Tribunal Federal (STF). 
• Lava Jato. PF confirma corrupção do presidente do TCU, Raimundo Carreiro, e Cedraz, seu antecessor. Filho de ministro, Tiago Cedraz é acusado de intermediar propina. 
• A Secretaria-Geral da Mesa Diretora da Câmara definiu o rito da votação em plenário da denúncia contra Temer, em 2 de agosto. Como aconteceu na sessão de 17 de abril de 2016, em que foi autorizada a abertura do processo de impeachment contra Dilma Rousseff, os parlamentares serão chamados um por um ao microfone e terão até cinco minutos para discursar. 
• Sérgio Moro negou omissão, obscuridade ou contradição na sentença contra Lula na Lava Jato. Advogados do ex-presidente entraram com recurso contra a condenação a 9 anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá. Na resposta à defesa, o juiz da Lava Jato comparou o petista a Eduardo Cunha, que alegava não ser titular de contas no exterior, mas usufrutuário dos recursos. Antes de Moro se pronunciar, Lula criticou a Lava Jato e disse que o juiz não pode se comportar como um czar
• Parlamentares que vão votar perdão de dívidas devem R$ 533 milhões.
• Senador Cristovam reage a ataque fascista de petistas: deixa eles agredirem. Para lançar livro, senador precisou de proteção policial. 
• A Polícia Civil do Rio prendeu, em Nova Iguaçu, um jovem de 23 anos suspeito de ser um dos curadores do grupo Baleia-Azul. Matheus Silva participaria de rede que induz adolescentes à automutilação e ao suicídio. A operação, que também fez buscas e apreensões em 20 cidades de nove Estados, foi iniciada a partir de denúncias de pais de jovens supostamente envolvidos no jogo. 

• Ex-presidente da CBF pode ter mesmo destino de Eduardo Cunha. Com prisão pedida na Espanha e Estados Unidos, Teixeira pode ter o seu caso transferido ao Brasil. 
• Uruguai começa a vender maconha para consumo recreativo em farmácias. A partir dessa quarta, uruguaios podem encontrar nas lojas a erva legalizada, produzida por duas empresas privadas escolhidas pelo governo em licitação pública. Um pacote com 5 gramas custará cerca de R$ 21, preço similar ao praticado no mercado ilegal.
• Trump culpa aliados por não anular Obamacare.
• Deu no The New York Times: Elites querem aplicativos de chat confidenciais. Alarmados com a vigilância e com hackers, políticos e executivos recorrem a mensagens criptografadas. 
• Advogada russa que encontrou Trump Jr. aceita dar explicações nos EUA. 
• Maduro convoca Conselho de Defesa após ameaça de sanções dos EUA. • Microsoft oferece cursos online gratuitos e em português. 
• Escócia pode conseguir acordo com a União Europeia em meio ao Brexit. 
• Após nevasca que prendeu passageiros em Bariloche e sensação térmica de até -17º C no Sul, foi a vez de São Paulo sentir os efeitos da frente fria. Em apenas 24 horas, foi uma queda de 17º C. No aeroporto de Congonhas, os termômetros registraram 8º C. Meteorologistas preveem uma quarta-feira ainda mais fria nesta que deve ser a massa de ar polar mais forte do inverno. A temperatura deve voltar a subir a partir de quinta.

É tudo normal.
Emendas parlamentares explodem e agenda positiva cresce.
Quem se dispôs a acompanhar a agenda de Temer nos últimos dias, pode acusá-lo de tudo, menos de paralisia. Numa semana de vale-tudo, ele comandou uma suada articulação para derrubar o relatório do deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) - ou, como queiram, patrocinou um frenético troca-troca de integrantes da comissão -, garantindo sua sobrevida na Presidência, pelo menos até o começo de agosto. E esteve à frente de negociações de última hora para aprovar a reforma trabalhista, troféu a ser exibido a quem duvidava do avanço de suas propostas econômicas. Uma produtividade combinada com generosidade, como há tempos não se via.
O tamanho dessa equação aparece com nitidez nas estatísticas da liberação de emendas parlamentares, justamente aquele item que a equipe econômica incluiu entre os mais atingidos quando decretou o bloqueio de gastos para cumprir a meta fiscal do ano. Segundo levantamento do Siga Brasil, do Senado, até o dia 6 de julho foram empenhados cerca de R$ 2 bilhões em emendas de deputados federais e senadores, quase um terço do programado para o ano: para deputados, foi o correspondente a R$ 1,72 bilhão. Ainda não foi captado pelo Siga Brasil, mas a corrida dos últimos dias para premiar os amigos do Planalto teria resultado num valor espantoso, de quase R$ 2 bilhões só em 13 dias de julho. E tem mais: segundo reportagem publicada na edição de domingo do Estado, 39 dos 40 deputados que votaram a favor de Temer na CCJ receberam emendas no valor de R$ 266 milhões no período que vai de junho à segunda semana de julho. 
Para os políticos/empresários/lobistas que compareciam ao Planalto atrás de verbas e ouviam um sonoro não, acompanhado da ladainha do ajuste fiscal, a conclusão é uma só. Nada como um governo fragilizado para se tornar sensível aos pedidos dos aliados, sejam eles fiéis ou, mais ainda, candidatos à infidelidade. A essa boa vontade com os parlamentares, junta-se também a proatividade na distribuição e na promessa de verbas para vários setores. Na terça-feira passada, por exemplo, Temer participou do evento em que o Banco do Brasil destinou R$ 103 bilhões para o Plano Safra 2017/2018, no dia seguinte anunciou um programa de R$ 11,7 bilhões para obras de infraestrutura e, na quinta-feira, confirmou verba de R$ 1,7 bilhão para a Saúde, entre outras finalidades para ampliar compras de ambulâncias e reforçar o atendimento a famílias. A conversa agora é que, aproveitando a janela de oportunidades até a votação no plenário da Câmara, o governo recorrerá a uma agenda positiva: leia-se, vem mais dinheiro por aí.
É tudo normal, argumentam o governo e seus técnicos. Desde que o mundo é mundo, emendas parlamentares são moeda de troca nas votações decisivas. Além disso, essa verba já consta do Orçamento e tem de ser empenhada no exercício ao qual se refere. Quanto aos outros gastos, trata-se de uma ação para não deixar a máquina pública parar ou para melhorar o desempenho de setores prioritários. Até pode ser. Pesaria a favor desse comportamento, inclusive, a própria atividade econômica, que reage muito mais lentamente do que seria desejável e emite sinais de que ainda precisa de amparo para se reabilitar, como mostrou o IBC-Br do Banco Central de maio, de novo em queda, frustrando quem acreditava que a retomada já estava consolidada. 
Fica difícil, porém, justificar essa normalidade. Antes de mais nada, a evolução dos números deixa pouquíssimas dúvidas sobre a contaminação dos critérios utilizados na liberação de emendas parlamentares - por mais que elas se refiram a projetos importantes para determinadas áreas e/ou redutos eleitorais. E mesmo os tais programas setoriais talvez exigissem um pente finíssimo antes de sua concretização. Afinal de contas, não foram os próprios integrantes da equipe econômica que alertaram para a iminente necessidade de um corte nas despesas obrigatórias? Para a grande maioria da população, leiga em contabilidade mas interessada no destino dos recursos públicos, não está claro o essencial. Qual a dimensão da penúria do governo? E se o dinheiro é escasso, está bem aplicado? Ninguém é contra generosidade, mas inspira uma certa desconfiança o fato de ela se manifestar em plena crise de governabilidade. Mais transparência, senhores. (Cida Damasco, O Estado de S.Paulo) 

Uma síntese do Brasil de hoje...
Para sua análise e reflexão, repasso o texto abaixo, recebido de um amigo. Extremamente lúcido e verdadeiro, descrevendo com propriedade, as cinco grandes quadrilhas que tomaram de assalto o Estado brasileiro, nos últimos anos... (Márcio Dayrell Batitucci) 
ooo0oo 
Queridos amigos, gostei imensamente do texto do Erick Bretas pela sua capacidade de sintetizar a triste história do nosso querido país! Como conseguir desarmar esta estrutura, este circo... eis a questão! Porque mesmo que se consiga retirar os atores principais, é muito fácil para outros erguer novamente a lona do circo! (Adhemar C. Valverde) 
ooo0ooo 
1. Por tudo isso: Nas próximas eleições, não vote em quem teve ou tem mandato. Foi ou é vereador. Foi ou é prefeito, deputado estadual, governador, deputado federal senador, presidente e vice.. Cuidado, também, com os parentes e laranjas desses bandidos.
2. É um absurdo esses moleques, esses criminosos, esses delinquentes, serem sempre reeleitos. 
3. O Brasil inteiro sabe que eles são ladrões, que não prestam, mas continua votando neles.
4. Por mais insensato que possa parecer, é preferível votar num desconhecido porque os conhecidos nós já sabemos quem eles são.
5. Renovar é preciso. Chega de escória. 
ooo0ooo 
Se você analisa as delações da JBS, as da Odebrecht e as das demais empreiteiras, a conclusão é mais ou menos a seguinte:
O Brasil foi dividido entre cinco grandes quadrilhas nas últimas duas décadas.
A maior e mais perigosa, diferentemente do que diz o Joesley, era a do PT. Era a mais estruturada, mais agressiva, mais eficiente e com planos de perpetuação no poder. Comandava a Petrobras, vários fundos de pensão e dividia o poder com as quadrilhas do PMDB nos bancos públicos. Sua maior aliada econômica foi a Odebrecht. O chefão supremo era Lula. Palocci e Mantega, os operadores econômicos. Era o Comando Vermelho da política - para se manter na presidência eram capazes de fazer o Diabo.
A segunda maior era a do PMDB da Câmara. Seus principais chefões eram Temer e Eduardo Cunha. Eliseu Padilha, Geddel Vieira Lima, Moreira Franco e Henrique Eduardo Alves eram os subchefes. Lúcio Funaro era o operador financeiro. Mandava no FI-FGTS, em diretorias da Caixa Econômica, em fundos de pensão e no Ministério da Agricultura. Por causa do controle desse último órgão, tinha tanta influência na JBS. Era o ADA dos políticos, ou seja, mais entranhada nos esquemas do poder tradicional e mais disposta a acordos e partilhas.
A terceira era o PMDB do Senado. Seu chefão era Renan Calheiros. Seu guru e presidente honorário, José Sarney. Edson Lobão, Jader Barbalho e Eunício Oliveira eram outras figuras de proa. Mandava nas empresas da área de energia e tinha influência nos fundos de pensão e empreiteiras que atuavam no setor. Vivia às turras com a quadrilha do PMDB na Câmara, que era maior e mais organizada.
A quarta era o PSDB paulista, cuja figura de maior expressão era o Serra. Tinha grande independência das quadrilhas do PT e PMDB porque o governo de São Paulo era terreno fértil em licitações e obras. A empresa mais próxima do grupo era a Andrade Gutierrez, mas também foi financiada por esquemas com Alstom e Odebrecht.
A quinta e última era o PSDB de Minas, ou para ser mais preciso, o PSDB do Aécio. Era uma quadrilha paroquial, com raio de ação mais restrito, mas ainda assim mandava em Furnas e usava a Cemig como operadora de esquemas nacionais, como o consórcio da hidrelétrica do Rio Madeira.
Em torno dessas big Five, flutuavam bandos menores, mas nem por isso menos agressivos em sua rapinagem, como o PR, que dava as cartas no setor de Transportes, o PSD do Kassab, que influenciava ministérios poderosos como o das Cidades, o PP, que compartilhava a Petrobras com o PT e o consórcio PRB - Igreja Universal, que tinha interesse na área de Esportes.
Havia também os bandos estritamente regionais que atuavam com maior ou menos grau de independência em relação aos nacionais. O PMDB do Rio e seu inacreditável comandante Sérgio Cabral, por exemplo, chegaram a ser mais poderosos que os grupos nacionais. Fernando Pimentel comandava uma subquadrilha petista em Minas. O PT baiano também tinha voo próprio. Elas se diferenciam das quadrilhas tucanas que estavam apenas circunstancialmente restritas aos territórios que comandavam, mas sempre tiveram aspirações e influência nacionais.
Por fim, vinham parlamentares e outros políticos do Centrão, que eram negociados de maneira transacional no varejo - uma emenda aqui, um caixa 2 ali, uma secretaria acolá...
Digo tudo isso não para reduzir a importância do PT e o protagonismo do Lula nos crimes que foram cometidos contra o Brasil. Lula tem de ser preso e o PT tem que ser reduzido ao tamanho de um PSTU.
Mas ninguém pode dizer que é contra a corrupção se tolerar as quadrilhas do PMDB ou do PSDB em nome da estabilidade, das reformas ou de qualquer outra tábua de salvação que esses bandidos jogam para si mesmos.
E que ninguém superestime as rivalidades existentes entre esses cinco grandes grupos. Em nome da própria sobrevivência, eles são capazes de qualquer tipo de acordo ou acomodação e farão de tudo para obstruir a Lava Jato. (Erick Bretas) 

Um herói sem caráter nenhum.
Quando alguém pede um autógrafo num exemplar de meu livro O que Sei de Lula(Topbooks, Rio de Janeiro, 2011), minha definição favorita para o protagonista que perfilei em suas 522 páginas é Macunaíma de palanques e palácios. É necessária, contudo, uma pequena inversão na frase com que Mário de Andrade definiu magistralmente seu personagem-símbolo da brasilidade, um herói sem nenhum caráter. Lula talvez mereça uma definição com uma troca de lugar do pronome indefinido na frase: um herói sem caráter nenhum.
Conheci-o em 1975, quando acompanhei sua ascensão à condição de maior dirigente sindical da História ao preparar, negociar e dirigir as greves que ajudaram a extinguir a longa noite da ditadura tecnocrático-militar. Quase meio século depois, contudo, o empreiteiro Norberto Odebrecht, herdeiro e herdado da construtora encalacrada na corrupção da Lava Jato, contou que lhe pagou propinas para evitar greves. Ou seja, o maior líder operário teria sido também o maior traíra da história do movimento obreiro, tendo chegado ao ponto de tirar proveito pessoal de sua condição de condutor de massas.
As greves espetaculares dos metalúrgicos do ABC, lideradas por ele de um palanque armado no centro do Estádio de Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, contestaram a estrutura legal do peleguismo varguista, que perdurou na ditadura. As paralisações das montadoras de automóveis e fábricas da cadeia automotiva roeram os pés de barro do regime autoritário, que ruiu sobre as próprias bases. Mas ele mesmo foi informante dos militares, como contei na abertura de meu livro citado. E também do diretor do Dops paulista, o delegado Romeu Tuma, conforme relatou o filho deste, o também delegado que foi secretário de Justiça do Ministério da Justiça da primeira gestão presidencial de Lula, Romeu Tuma Jr. Nunca, em momento algum, as informações dadas nas páginas seja de O que Sei de Lula, seja de Assassinato de Reputações, também editado pela Topbooks, foram contestadas em entrevista, artigo ou processo judicial.
No entanto, essas bombas de hidrogênio sobre a imagem de qualquer político de esquerda no mundo inteiro não produziram o efeito de um traque junino na mitologia em torno do entregador de lavanderia e torneiro mecânico que chegou ao mais elevado posto da República. Neste, aliás, produziu a catástrofe de efeito ainda mais deletério: o maior escândalo de corrupção da História e, em consequência dele, uma crise política, que está passando pela segunda tentativa de afastamento do presidente da República, e econômica, que levou 14 milhões de trabalhadores à tragédia do desemprego. No entanto, o ex-presidente mantém a fama, a condição de mito e o poder que isso transfere. É o político mais celebrado na memória do povo e o mais temido pelas elites dirigentes, às quais sempre serviu, embora tendo sempre vendido o peixe de que é seu inimigo favorito.
O retirante nascido no agreste pernambucano e criado nas franjas industriais da Grande São Paulo, de onde emergiu para a fama, foi o pai dos pobres, que nunca se esquecem dele, e a mãe dos burgueses, que preferem vê-lo a distância segura, mas sabem que na hora H poderão contar com sua eterna gratidão. Por isso, o chefe da organização criminosa que limpou todos os cofres da República é o chefão da conspiração daqueles que participaram com ele desse assalto. Agora condenado, vale mais para ele do que para qualquer outra eventual vítima da limpeza da Operação Lava Jato aquele slogan do anúncio de vodca: Eu sou você amanhã. Por isso é o rei do paparico, embora suas qualidades pessoais e de gestor não possam ser comparadas ao cardápio do restaurante do Porto que leva esse nome. (José Nêumanne, jornalista, poeta e escritor) 
Meu filho, coma o mel, porque ele faz bem; o favo de mel é gostoso na boca. Saiba que também a sabedoria é assim: se você encontrar, terá futuro, e sua esperança não fracassará! (Provérbios 24-26)